Um e-mail que me abalou – II
Continuação do post de sexta-feira passada, dia 3/12
Ela disse que leu o livro Manual de Perícias (600 páginas) quase na íntegra, buscando todas as informações pertinentes que contribuíssem para um laudo perfeito. No dia anterior ao envio do e-mail para mim, o seu marido entregou o primeiro laudo, ela e ele se sentiram orgulhosos e, apesar de serem inexperientes, tiveram a certeza da realização de um bom trabalho em equipe. Disse que, a esse processo, para o qual seu marido havia sido nomeado, foi apensado outro, e mais honorários foram propostos pelo seu marido, restando, por fim, os honorários totais, em um valor justo.
Ao final do e-mail, ela escreveu: Queremos agradecer ao sr. por ter permitido abrir essa oportunidade em nossa vida. Espero que ele seja nomeado para novas perícias, porque gostamos muito da nova experiência e queremos a cada dia melhorar a técnica e o conhecimento nesse setor. Obrigada pela iniciativa em escrever o livro, que é ótimo e completo e por sempre ser atencioso em nos responder. Que Deus lhe abençoe e a sua família. Esperamos um dia lhe agradecer pessoalmente. Envie-nos avisos de cursos sobre perícia por e-mail. Forte abraço. Em anexo uma foto, eu, meu esposo e nossa filha.
Conforme coloquei anteriormente, no post de 3/12, até aí se tratava de um e-mail que sensibiliza, devido à vontade natural que possuímos de realizar um bom trabalho. Porém, ao abrir a foto em anexo, fui acometido por uma forte emoção: estavam na foto, em que predominavam rostos, um jovem casal, de aproximadamente 26 anos de idade cada um, e um bebê de menos de um ano. A emoção surgiu naquela hora, porque me lembrei do meu caso pessoal.
Quando minha primeira esposa e eu éramos jovens, tivemos a nossa filha, e ela só veio porque casamos; e nós só casamos porque eu vivia dos honorários da perícia judicial. Quando a Fernanda nasceu, minha esposa trabalhava em Novo Hamburgo, distante 360 km de Rio Grande, nossa cidade, onde eu era constantemente nomeado perito. Como a perícia judicial é uma atividade que proporciona flexibilidade de horários e a possibilidade de trabalharmos em qualquer lugar, eu ficava em Rio Grande apenas de domingo a quarta-feira: o restante dos dias eu passava em Novo Hamburgo, cuidando de nosso bebê, já que não tínhamos parentes naquela cidade.
A foto do jovem casal com o bebê era uma situação semelhante à que vivi e, para completar, o esposo tem a aparência também semelhante a que eu tinha na época. Tudo se somou e o que senti foi forte.
Ao me defrontar com a suave foto, percebi que o meu feliz destino deu-se em função da atividade de que tanto gosto e a que tanto me dedico.
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