Nesta página estão respostas às pessoas que nos enviaram e-mails, as quais respeitamos em suas opiniões, embora tenhamos esclarecido nossa posição. __________________________________________________

E. é economista, tem curso de mestrado em administração e é perito antigo. E. não concorda em que o site Manual de Perícias - MP incentive os profissionais a serem peritos mostrando as facilidades da carreira.

E-mail de E.: Bom dia, estava lendo a newsletter do jornal Valor Econômico e vi a mensagem de como se tornar um perito. Sou Economista, Perito há dez anos e fiquei indignado ao ler o informativo de seu “Manual de Perícias”, onde diz que o perito não precisa ter experiência, ser recém formado, que o trabalho é fácil, etc... enfim, só faltou dizer que não precisa ter nada, apenas se cadastrar!!

Acredito piamente que, para que a carreira de Perito continuar a ser uma profissão séria, formada pelos melhores profissionais do mercado, deve sim, obrigatoriamente, ter primeiramente, uma excelente e constante formação educacional, uma excelente formação profissional, adquirida em vários anos de experiência e principalmente, que seja um profissional sério, competente e, principalmente, Ético.

Acredito que estes sim são os requisitos básicos mínimos para se ingressar na profissão de Perito e não incentivar, com facilidades, a entrada de péssimos profissionais e/ou defasados em seu tempo.

Resposta do MP: Os requisitos para ser perito judicial estão no Código de Processo Civil. Basicamente é necessário ter curso superior na área do objeto da perícia e estar registrado em entidade da categoria.

Quanto à experiência, tenho 21 anos de nomeações ininterruptas e mais de 1000 laudos escritos como perito judicial. Um dos colaboradores de meu livro Manual de Perícias, perito economista, tem 15 anos de nomeações, também, ininterruptas. Tanto ele como eu iniciamos na perícia judicial logo após nos formamos. Penso que nós dois prestamos excelentes serviços à Justiça até o momento, embora tenhamos começado jovens na carreira. Muitos juízes testam os jovens com nomeações em trabalhos mais simples a fim de saber o seu potencial e, constatada a boa qualidade do trabalho apresentado, nomeiam-nos em outros um pouco mais complexos e assim por diante.

Evidentemente, como em qualquer profissão, é possível o perito judicial se tornar melhor quanto mais tempo ele tiver de experiência. Porém, os vários anos de experiência de um profissional não querem dizer que este apresentará um trabalho melhor que o de um profissional com pouca atuação na área.

A atividade de perito judicial é digna e honrada e a Justiça merece que sejam nomeados novos profissionais que estejam dispostos a superar as deficientes qualificações muito encontradas atualmente em todo o país. Só havendo a divulgação da atividade, se poderá melhorar qualificar o quadro de profissionais que prestam serviços à Justiça como perito. É o que nós nos propomos desde 1997.

A burocracia e a prática forense em que se envolve o perito é de fácil assimilação. As questões técnicas referentes à perícia são relativas à qualificação pessoal de cada um. Ai, concordo que uma excelente formação profissional e educacional qualificam para melhor. Quanto ao profissional ser sério, competente e ético, são condições elementares, são condições indiscutíveis.

Incentivando-se novos profissionais, mostrando-se as facilidades da atividade, em suma, democratizando-se o conhecimento de como ser nomeado perito, poderemos melhorar o quadro nacional e com isso se evitar os péssimos profissionais e/ou defasados em seu tempo que são no momento nomeados peritos. Quem vai decidir se o perito é bom profissional é o juiz e é preocupante se duvidar da capacidade de avaliação do juiz sobre o trabalho do perito.

Sds.
Eng. Rui Juliano