A alternativa "limpa" para o futuro

A energia dos ventos é uma abundante fonte renovável, limpa e disponível em todos os lugares. Ela têm sido empregada desde a Antiguidade para mover os navios à vela e moinhos. Ultimamente, após mais de um século de consumo fácil, quase nos tínhamos esquecido dela. Hoje com o fim da abundância do petróleo e carvão, volta-se a falar nessa forma de energia, só que de uma maneira diferente - voltada à eletricidade.
Porém, a utilização desta fonte energética para a geração de eletricidade, em escala comercial, teve início há pouco mais de 30 anos e através de conhecimentos da indústria aeronáutica, os equipamentos para geração eólica evoluíram rapidamente em termos de idéias e conceitos preliminares para produtos de alta tecnologia. No início da década de 70, com a crise mundial do petróleo, houve um grande interesse de países europeus e dos Estados Unidos em desenvolver equipamentos para produção de eletricidade que ajudassem a diminuir a dependência do petróleo e carvão. Mais de 50.000 novos empregos foram criados e uma sólida indústria de componentes e equipamentos foi desenvolvida. Atualmente, a indústria de turbinas eólicas vem acumulando crescimentos anuais acima de 30% e movimentando cerca de 2 bilhões de dólares em vendas por ano (1999).
Existem, atualmente, mais de 30.000 turbinas eólicas de grande porte em operação no mundo, com capacidade instalada da ordem de 13.500 MW. No âmbito do Comitê Internacional de Mudanças Climáticas, está sendo projetada a instalação de 30.000 MW, por volta do ano 2030, podendo tal projeção ser estendida em função da perspectiva de venda dos "Certificados de Carbono". Na Dinamarca, a contribuição da energia eólica é de 12% da energia elétrica total produzida; no norte da Alemanha (região de Schleswig Holstein) a contribuição eólica já passou de 16%; e a União Européia tem como meta gerar 10% de toda eletricidade a partir do vento até 2030.
Dentro dessa alternativa segura e inesgotável, limpa sem qualquer resíduo de produção industrial, como é o caso do petróleo, a energia eólica desponta como a solução imediata, eficaz e segura para os problemas que as sociedades ao redor do globo enfrentam quando o assunto é fornecimento de energia. Além das facilidades de geração desta energia, temos nela a solução no plano econômico, e a certeza de uma indústria que está cada vez mais se solidificando, a cada ano e estendendo-se ao redor do mundo. Isso inclui o Brasil, que possui vários projetos, muitos já concretizados no setor. Poderemos observar que dentro desta sociedade high-tech em que vivemos, a energia eólica - forma primitiva de geração de força, já utilizada por nossos antepassados – destaca-se como a alternativa rápida, segura, barata para o abastecimento energético mundial, e o que é melhor em tempos de crise, sem risco de apagão.

O surgimento

Moinho português ainda em funcionamento

Não sabe-se ao certo o surgimento efetivo dos propulsores eólicos, porém Pérsia, Egipto e China são algumas das regiões onde os dispositivos de conversão de energia - provávelmente máquinas de arrasto e de eixo vertical - foram primeiramente utilizados. Deveriam prioritariamente serem utilizados na movimentação de água para a irrigação dos campos de cultivo. Segundo fontes históricas, o modelo mais antigo de que sem têm notícia é o sistema de eixo vertical desenvolvido na Pérsia no período entre os anos 500 e 900 da Era Cristã. O seu principal uso era bombear água, mas o método exato de transporte de água não é conhecido, visto não existirem desenhos ou modelos. Isso somente chegou até nós por meio de relatos passados de geração em geração.
É de origem persa o primeiro modelo documentado, com velas verticais feitas de canas ou madeira, ligadas à estrutura vertical que girava em torno de um eixo horizontal. Posteriormente, uma versão mais moderna deste projeto surgiu na América do século XIX. Poderia servir com uma secadora de roupas. Mas sabemos que a moagem de cereais é a primeira aplicação documentada de um moinho de vento, com a mó presa no eixo vertical. Todo o mecanismo se encontrava dentro de uma estrutura que continha uma parede ou um escudo para bloquear o vento que poderia retardar o movimento do lado do rotor que avançava contra o vento. Moinhos de eixo vertical também foram usados na China, porém existe a crença de que no Oriente eles existam há mais de 2 mil anos. Uma das aplicações de maior sucesso e eficácia da energia eólica é o extensivo uso de moinhos para bombear água na ilha de Creta, na Grécia. Lá centenas de moinhos de velas bombeiam a água para as plantações e para os animais.
Durante os séculos seguintes a “tecnologia” foi sendo aprimorada. Assim foi com os moinhos, que serviram como dispositivos importantes na moagem de cereais, extração de óleos e, sobretudo na Holanda, para a drenagem e elevação de água. Depois vieram as velas, que demandaram um processo de aperfeiçoamento para a melhorar sua eficiência, em cerca de 500 anos. Devemos reconhecer que atualmente todos e quaisquer avanços realizados nesse meio milênio, tiveram uma grande contribuição para o desenho das actuais turbinas modernas. E assim foram por centenas de anos, onde a aplicação mais importante dos moinhos de vento foi o bombeio mecânico de água, para o qual se usavam sistemas relativamente pequenos com um rotor de poucos metros de diâmetro.
Esses sistemas foram aprimorados em 1854 nos Estados Unidos por Halladay e prolongou-se até aos nossos dias por várias companhias. Os primeiros moinhos possuíam quatro pás de madeira. Este tipo de moinho tinha a particularidade de controlar a velocidade de rotação, através de um mecanismo que virava as pás do mesmo modo que um guarda-chuva se vira impulsionado por ventos de grande velocidade. A aplicação de pás de aço veio em 1870. Entre 1850 e 1970, foram instalados nos EUA mais de um milhão de pequenos moinhos. O uso primário destes moinhos era o bombeio de água para os campos, para os animais e para o uso doméstico da América rural. No final do século XIX, mas precisamente em Cleveland, em 1888, o modelo do moinho americano foi usado por Charles Brush para a produção de eletricidade.

Valério Cabral
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