Os custos da energia eólica



Considerando o grande potencial de energia eólica existente no Brasil, confirmado através de medidas de vento precisas realizadas recentemente, é possível produzir eletricidade a custos competitivos com centrais termoelétricas, nucleares e hidroelétricas. Análises dos recursos eólicos medidos em vários locais do Brasil, mostram a possibilidade de geração elétrica com custos da ordem de US$ 70 - US$ 80 por MWh. Conforme estudos da Eletrobrás, o custo da energia elétrica gerada através de novas usinas hidroelétricas construídas na região amazônica será bem mais alto que os custos das usinas implantadas até hoje. Quase 70% dos projetos possíveis deverão ter custos de geração maiores do que a energia gerada por turbinas eólicas. Outra vantagem das centrais eólicas em relação às usinas hidroelétricas é que quase toda a área ocupada pela central eólica pode ser utilizada (para agricultura, pecuária, etc.) ou preservada como habitat natural. 
 
GRÁFICO: Vazão do Rio São Francisco. Cores representam os elementos através dos meses do ano 

A energia eólica poderá também resolver o grande dilema do uso da água do Rio São Francisco no Nordeste - água para gerar eletricidade X água para irrigação. Grandes projetos de irrigação às margens do rio ou envolvendo a transposição de suas águas para outras áreas podem causar um grande impacto no volume de água dos reservatórios das usinas hidrelétricas e, consequentemente, prejudicar o fornecimento de energia para a região. Entretanto percebe-se que as maiores velocidades de vento no nordeste do Brasil ocorrem justamente quando o fluxo de água do Rio São Francisco é mínimo. Logo, as centrais eólicas instaladas no nordeste poderão produzir grandes quantidades de energia elétrica evitando que se tenha que utilizar a água do rio São Francisco. 

Sistemas híbridos de energia 

Sistemas híbridos de energia ou Hybrid Power Systems em inglês, são sistemas autônomos de geração elétrica que combinam fontes de energia renovável e geradores convencionais. Eles tem como objetivo produzir o máximo de energia possível das fontes renováveis - sol e vento - enquanto mantidas a qualidade da energia e a confiabilidade especificadas para cada projeto. 
Estes sistemas são adequados para atender as necessidades energéticas de locais isolados devido ao alto custo da eletrificação de lugares com baixa demanda e de difícil acesso. Geralmente, os sistemas isolados eletrificados utilizam geração termelétrica com grupos geradores diesel. 
No Brasil existem mais de 400 sistemas isolados de grande porte, com mais de 1400 MW de potência instalada, e inúmeros sistemas pequenos que utilizam óleo diesel como fonte geradora de energia. Já foi demonstrado que sistemas híbridos de energia podem representar uma solução mais econômica para muitas aplicações e também proporcionar uma fonte mais segura de eletricidade devido à combinação de diversas fontes de energia. Além do mais, o uso de energia renovável reduz a poluição ambiental causada pela queima de óleo diesel, transporte e armazenamento. 
O único sistema híbrido eólico/diesel de grande porte instalado no Brasil é o sistema da Ilha de Fernando de Noronha. A geração diesel da Ilha tem uma capacidade instalada de aproximadamente 2MW com 2 grupos geradores de 350kVA e 3 de 450kVA. Existem ainda vários grupos geradores de pequeno porte. Duas turbinas eólicas, 75kW e 225kW de potência nominal, estão conectadas diretamente à rede elétrica formando um sistema integrado. A energia gerada pelas turbinas eólicas atualmente contribui com cerca de 25% da demanda daquela Ilha. 

Economia: 

Energia eólica deve crescer 50 vezes no país até o final deste ano 
De acordo com estimativa feita em agosto do ano passado e publicada pelo site da BBC Brasil.com, O Pró-Infra, programa do governo que prevê o aumento das fontes renováveis na matriz energética, estabelece que a produção de energia eólica no Brasil deve chegar a, pelo menos, 1.030 MW até o final do ano. Hoje a participação da energia eólica na matriz brasileira é hoje de apenas 20 megawatts, insuficiente para abastecer até mesmo um bairro. 
O Pró-Infra faz parte do programa emergencial de geração de energia, criado após o racionamento de 2001. Ele inclui também incentivos à produção de energia por biomassa, pequenas centrais hidrelétricas e solares, num pacote total de 3.300 MW. A fonte que tiver maior flexibilidade e maleabilidade econômica para crescer dentro desse pacote crescerá. O primeiro mapa de caracterização eólica do Brasil foi feito há cerca de cinco anos, na região Nordeste, e foi o que propiciou o Pró-Eólica - o programa que prevê o aumento de produção e que mais tarde foi encampado pelo Pró-Infra. 
 
PROGNÓSTICO do aumento da capacidade instalada de energia eólica no país nos próximos dois anos e meio, em comparativo com anos anteriores 

Setor poderá movimentar 75 bi de euros até 2020 

Segundo informações do portal Folha Online, a indústria de energia eólica, que move atualmente 7 bilhões na Europa, pode crescer para 75 bilhões até 2020. O dado faz parte de um relatório feito pela ONG (organização não-governamental) Greenpeace em parceria com a Associação Européia de Energia Eólica (Ewea, na sigla em inglês). "A Europa n ão é rica em petróleo, carvão ou gás, mas nós temos enormes fontes de vento e as empresas européias são líderes mundiais na conversão de vento em energia", disse Corin Millais, da Ewea. Segundo ele, 1.231 gigawatts de energia eólica podem ser gerados até 2020 - 12% de toda a eletricidade gerada no mundo - criando 1,79 milhões de empregos, uma redução de 40% no custo da eletricidade e economizando, cumulativamente, 10,9 milhões de toneladas de CO2. 
No final de 2002, as áreas de geração de energia eólica instaladas em todo o mundo alcançaram 32 mil megawatts, o que seria suficiente para fornecer energia para os 40 milhões de europeus. A capacidade eólica total instalada cresceu 33% nos países da União Européia, alcançando 23.056 megawatts em dezembro do ano passado. A produção de eletricidade a partir disso é equivalente à queima de 20 bilhões de toneladas de carvão em uma usina convencional de geração de energia. 

Valério Cabral 
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