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Prevenção de
incêndio
Objetivos da
prevenção de incêndio
Propagação de
fogo, fumaça e gases quentes
Evolução de um
incêndio
Fatores que
contribuem para a evolução de um incêndio
Influência do
conteúdo combustível (carga de incêndio)
Influência da
ventilação
Mecanismos de
movimentação dos gases quentes
Efeitos da
fumaça
Processo de
controle de fumaça
Isolamento de
risco
Compartimentação
vertical e horizontal
Resistência ao
fogo das estruturas
Materiais
Saída de
emergência
Escadas de
segurança
Acessos
Sistema de
iluminação de emergência
Elevador de
segurança
Acesso a
viaturas do corpo de bombeiros
Meios de aviso
e alerta
Sinalização
Extintores
portáteis e extintores sobre rodas (carretas).
Sistema de hidrantes
Sistema de
chuveiros automáticos ("sprinklers").
Sistema de
espuma
Sistema fixo
de co2
Brigada de
incêndio
Planta de
risco
O Corpo de
Bombeiros do Estado de São Paulo apresenta a Instrução Técnica – 02*, a seguir,
com os Conceitos Básicos de Proteção Contra Incêndios, que é na verdade um
curso completo de prevenção contra incêndios para iniciantes e um excelente
material referencial aos mais experientes no assunto.
PREVENÇÃO DE
INCÊNDIO
Um dos tópicos
abordados na avaliação e planejamento da proteção de uma coletividade é a
prevenção de incêndio.
O termo
“prevenção de incêndio” expressa tanto a educação pública como as medidas de
proteção contra incêndio em um edifício.
A implantação
da prevenção de incêndio se faz por meio de atividades que visam a evitar o
surgimento do sinistro, possibilitar sua extinção e reduzir seus efeitos antes
da chegada do Corpo de Bombeiros.
As atividades
relacionadas com a educação consistem no preparo da população, por meio da
difusão de idéias que divulgam as medidas de segurança, para prevenir o
surgimento de incêndios nas ocupações. Buscam, ainda, ensinar os procedimentos
a serem adotados pelas pessoas diante de um incêndio, os cuidados a serem
observados com a manipulação de produtos perigosos e também os perigos das
práticas que geram riscos de incêndio.
As atividades
que visam à proteção contra incêndio dos edifícios podem ser agrupadas em:
1) atividades
relacionadas com as exigências de medidas de proteção contra incêndio nas
diversas ocupações;
2) atividades
relacionadas com a extinção, perícia e coleta de dados dos incêndios pelos
órgãos públicos, que visam aprimorar técnicas de combate e melhorar a proteção
contra incêndio por meio da investigação, estudo dos casos reais e estudo
quantitativo dos incêndios no estado de São Paulo.
A proteção
contra incêndio é definida como medidas tomadas para a detecção e controle do
crescimento do incêndio e sua conseqüente contenção ou extinção.
Essas medidas
dividem-se em:
1) medidas
ativas de proteção que abrangem a detecção, alarme e extinção do fogo
(automática e/ou manual); e
2) medidas
passivas que abrangem o controle dos materiais, meios de escape,
compartimentação e proteção da estrutura do edifício.
OBJETIVOS DA
PREVENÇÃO DE INCÊNDIO
Os objetivos
da Prevenção são:
1) a garantia
da segurança à vida das pessoas que se encontrarem no interior de um edifício,
quando da ocorrência de um incêndio;
2) a prevenção
da conflagração e propagação do incêndio, envolvendo todo o edifício;
3) a proteção
do conteúdo e a estrutura do edifício;
4) minimizar
os danos materiais de um incêndio.
Esses
objetivos são alcançados pelo:
1) controle da
natureza e da quantidade de materiais combustíveis constituintes e contidos no
edifício;
2)
dimensionamento da compartimentação interna, do distanciamento entre edifícios
e da resistência ao fogo dos elementos de compartimentação;
3)
dimensionamento da proteção e de resistência ao fogo da estrutura do edifício;
4)
dimensionamento de sistemas de detecção e alarme de incêndio e/ou de sistemas
de chuveiros automáticos de extinção de incêndio e/ou equipamentos manuais para
combate;
5)
dimensionamento das rotas de escape e dos dispositivos para controle do
movimento da fumaça.
6) controle
das fontes de ignição e riscos de incêndio;
7) acesso para
os equipamentos de combate a incêndio;
8) treinamento
de pessoal habilitado a combater um princípio de incêndio e coordenar o
abandono seguro da população de um edifício;
9)
gerenciamento e manutenção dos sistemas de proteção contra incêndio instalado;
10) controle
dos danos ao meio ambiente decorrente de um incêndio.
PROPAGAÇÃO DE
FOGO, FUMAÇA E GASES QUENTES
O fogo pode
ser definido como um fenômeno físico-químico onde se tem lugar uma reação de
oxidação com emissão de calor e luz.
Devem coexistir
quatro componentes para que ocorra o fenômeno do fogo:
1)
combustível;
2) comburente
(oxigênio);
3) calor;
4) reação em
cadeia.
Os meios de
extinção se utilizam deste princípio, pois agem por meio da inibição de um dos
componentes para apagar um incêndio.
O combustível
pode ser definido como qualquer substância capaz de produzir calor por meio da
reação química.
O comburente –
substância que alimenta a reação química, sendo mais comum o oxigênio.
O calor pode
ser definido como uma forma de energia que se transfere de um sistema para
outro em virtude de uma diferença de temperatura. Ele se distingue das outras
formas de energia porque, como o trabalho, só se manifesta num processo de
transformação.
Podemos,
ainda, definir incêndio como sendo o fogo indesejável, qualquer que seja sua
dimensão.
Como foi dito,
o comburente é o oxigênio do ar e sua composição percentual no ar seco, é de
20,99%; os demais componentes são o nitrogênio com 78,03% e outros gases (CO2,
Ar, H2, He, Ne, Kr) com 0,98%.
O calor, por
sua vez, pode ter como fonte à energia elétrica, o cigarro aceso, os
queimadores a gás, a fricção ou mesmo a concentração da luz solar através de
uma lente.
O fogo se
manifesta diferentemente em função da composição química do material; mas, por
outro lado, um mesmo material pode queimar de modo diferente em função da sua
superfície específica, das condições de exposição ao calor, da oxigenação e da
umidade contida.
A maioria dos
sólidos combustíveis possui um mecanismo seqüencial para sua ignição. O sólido
precisa ser aquecido, quando desenvolve vapores combustíveis que se misturam
com o oxigênio, formando a mistura inflamável (explosiva), a qual, na presença
de uma pequena chama (mesmo fagulha ou centelha) ou em contato com uma
superfície aquecida acima de 500ºC, igniza-se; aparece então a chama na
superfície do sólido, que fornece mais calor, aquecendo mais materiais e assim
sucessivamente.
Alguns sólidos
pirofóricos (sódio, fósforo, magnésio etc.) não se comportam conforme o
mecanismo acima descrito.
Os líquidos
inflamáveis e combustíveis possuem mecanismos semelhantes, ou seja, o líquido,
ao ser aquecido, vaporiza-se e o vapor se mistura com o oxigênio, formando a
"mistura inflamável" (explosiva) que na presença de uma pequena chama
(mesmo fagulha ou centelha) ou em contato com superfícies aquecidas acima de
500ºC, ignizam-se e aparece então a chama na superfície do líquido, que aumenta
a vaporização e a chama. A quantidade de chama fica limitada à capacidade de
vaporização do liquido.
Os líquidos
são classificados pelo seu ponto de fulgor, ou seja, pela menor temperatura na
qual liberam uma quantidade de vapor que ao contato com uma chama produz um
lampejo (uma queima instantânea).
Existe,
entretanto, uma outra classe de líquidos, denominados instáveis ou reativos,
cuja característica é de se polimerizar, decompor ou condensar violentamente ou
ainda, de se tornar auto-reativo sob condições de choque, pressão ou
temperatura, podendo desenvolver grande quantidade de calor.
A mistura
inflamável vapor-ar (gás-ar) possui uma faixa ideal de concentração para se
tornar inflamável ou explosiva, e os limites dessa faixa são denominados limite
inferior de inflamabilidade e limite superior de inflamabilidade, expressos em
porcentagem ou volume.
Estando a mistura
fora desses limites não ocorrerá a ignição.
Os materiais
sólidos não queimam por mecanismos tão precisos e característicos como os dos
líquidos e gases.
Nos materiais
sólidos, a área especifica é um fator importante para determinar sua razão de
queima, ou seja, a quantidade do material queimado na unidade de tempo, que
está associado à quantidade de calor gerado e, portanto, à elevação da
temperatura do ambiente. Um material sólido com igual massa e com área
específica diferente, por exemplo, de 1 m2 e 10 m2,
queima em tempos inversamente proporcionais; porém, libera a mesma quantidade
de calor. No entanto, a temperatura atingida no segundo caso será bem maior.
Por outro
lado, não se pode afirmar que isto é sempre verdade, no caso da madeira,
observa-se que, quando apresentada em forma de serragem, ou seja, com áreas
especificas grandes, não se queima com grande rapidez.
Comparativamente,
a madeira em forma de pó pode formar uma mistura explosiva com o ar,
comportando-se desta maneira como um gás que possui velocidade de queima muito
grande.
No mecanismo
de queima dos materiais sólidos temos a oxigenação como um outro fator de
grande importância.
Quando a
concentração em volume de oxigênio no ambiente cai para valores abaixo de 14%,
a maioria dos materiais combustíveis existentes no local não mantém a chama na
sua superfície.
A duração do
fogo é limitada pela quantidade de ar e do material combustível no local. O
volume de ar existente numa sala de 30 m2 irá queimar 7,5 kg de
madeira, portanto o ar necessário para a alimentação do fogo dependerá das
aberturas existentes na sala.
Vários
pesquisadores (Kawagoe, Sekine, Lie) estudaram o fenômeno, e a equação
apresentada por Lie é:
V' = a H’ B Vm
Onde:
V' = vazão do
ar introduzido;
a =
coeficiente de descarga;
H'= altura da
seção do vão de ventilação abaixo do plano neutro;
B = largura do
vão;
Vm
= velocidade média do ar;
Considerando L
o volume de ar necessário para a queima completa de kg de madeira, a taxa
máxima de combustão será dada por V’/L, isto é:
V' aH'BV'm
 R = L L
Da taxa de
combustão ou queima, segundo os pesquisadores, pode-se definir a seguinte
expressão representando a quantidade de peso de madeira equivalente, consumida
na unidade de tempo:
R = C Av H
onde:
R = taxa de
queima (kg/min);
C = Constante
= 5,5 Kg/mim m5/2;
Av
= HB = área da seção de ventilação (m2);
H = altura da
seção (m);
Av H = grau de
ventilação (Kawagoe) (m5/2);
Quando houver
mais de uma abertura de ventilação, deve-se utilizar um fator global igual a:
åAi Hi
A razão de
queima em função da abertura fica, portanto:
R = 5,5 Av H
para a queima (kg/min);
R = 330 Av H para a queima: (kg/h);
Esta equação
diz que o formato da seção tem grande influência. Por exemplo, para uma
abertura de 1,6 m2 (2,0 x 0,8 m) teremos:
Sendo:
2,0 m a
largura R1 = 7,9 kg/min;
2,0 m a
altura R2 =12,4 kg/min;
Por outro
lado, se numa área de piso de 10 m2 existir 500 kg de material
combustível expresso em equivalente em madeira, ou seja, se a carga de incêndio
específica for de 50 kg/m² e a razão de queima devido à abertura para
ventilação tiver o valor de R1 e R2 acima calculado, então a duração da queima
será respectivamente de 40 min e 63 min.
O cálculo
acima tem a finalidade de apresentar o princípio para determinação da duração
do incêndio real; não busca determinar o Tempo Requerido de Resistência ao Fogo
(TRRF) das estruturas.
Este cálculo é
válido somente para uma abertura enquanto as outras permanecem fechadas (portas
ou janelas); caso contrário, deve-se redimensionar a duração do incêndio para
uma nova ventilação existente.
EVOLUÇÃO DE UM
INCÊNDIO
A evolução do
incêndio em um local pode ser representada por um ciclo com três fases
características:
1) Fase
inicial de elevação progressiva da temperatura (ignição);
2) Fase de
aquecimento;
3) Fase de
resfriamento e extinção;
A primeira
fase inicia-se como ponto de inflamação inicial e caracteriza-se por grandes
variações de temperatura de ponto a ponto, ocasionadas pela inflamação
sucessiva dos objetos existentes no recinto, de acordo com a alimentação de ar.
Normalmente os
materiais combustíveis (materiais passíveis de se ignizarem) e uma variedade de
fontes de calor coexistem no interior de uma edificação.
A manipulação
acidental destes elementos é, potencialmente, capaz de criar uma situação de
perigo.
Os focos de
incêndio, deste modo, originam-se em locais onde fonte de calor e materiais
combustíveis são encontrados juntos, de tal forma que ocorrendo a decomposição
do material pelo calor são desprendidos gases que podem se inflamar.
Considerando-se
que diferentes materiais combustíveis necessitam receber diferentes níveis de
energia térmica para que ocorra a ignição é necessário que as perdas de calor
sejam menores que a soma de calor proveniente da fonte externa e do calor
gerado no processo de combustão.
Neste sentido,
se a fonte de calor for pequena, ou a massa do material a ser ignizado for
grande, ou, ainda, a sua temperatura de ignição for muito alta, somente irão
ocorrer danos locais sem a evolução do incêndio.
Se a ignição
definitiva for alcançada, o material continuará a queimar desenvolvendo calor e
produtos de decomposição. A temperatura subirá progressivamente, acarretando a
acumulação de fumaça e outros gases e vapores junto ao teto.
Há, neste
caso, a possibilidade de o material envolvido queimar totalmente sem
proporcionar o envolvimento do resto dos materiais contidos no ambiente ou dos
materiais constituintes dos elementos da edificação. De outro modo, se houver
caminhos para a propagação do fogo, através de convecção ou radiação, em
direção aos materiais presentes nas proximidades, ocorrerá simultaneamente à
elevação da temperatura do recinto e o desenvolvimento de fumaça e gases
inflamáveis.
Com a evolução
do incêndio e a oxigenação do ambiente, através de portas e janelas, o incêndio
ganhará ímpeto; os materiais passarão a ser aquecidos por convecção e radiação
acarretando um momento denominado de “inflamação generalizada – Flash Over”, que se caracteriza pelo
envolvimento total do ambiente pelo fogo e pela emissão de gases inflamáveis
através de portas e janelas, que se queimam no exterior do edifício.
Neste momento
torna-se impossível a sobrevivência no interior do ambiente.
O tempo gasto
para o incêndio alcançar o ponto de Inflamação generalizada é relativamente
curto e depende, essencialmente, dos revestimentos e acabamentos utilizados no
ambiente de origem, embora as circunstâncias em que o fogo comece a se
desenvolver exerçam grande influência.
A
possibilidade de um foco de incêndio extinguir ou evoluir para um grande
incêndio depende, basicamente dos seguintes fatores:
1) quantidade,
volume e espaçamento dos materiais combustíveis no local;
2) tamanho e
situação das fontes de combustão;
3) área e
locação das janelas;
4) velocidade
e direção do vento;
5) a forma e
dimensão do local.
Pela radiação
emitida por forros e paredes, os materiais combustíveis que ainda não
queimaram, são pré-aquecidos à temperatura próxima da sua temperatura de
ignição.
Se estes
fatores criarem condições favoráveis ao crescimento do fogo, a inflamação
generalizada irá correr e todo o compartimento será envolvido pelo fogo.
A partir dai,
o incêndio irá se propagar para outros compartimentos da edificação seja por
convecção de gases quentes no interior da casa ou através do exterior, na
medida em que as chamas que saem pelas aberturas (portas e janelas) podem
transferir fogo para o pavimento superior, quando este existir, principalmente
através das janelas superiores.
A fumaça, que
já na fase anterior è Inflamação generalizada, pode ter-se espalhado no
interior da edificação, se intensifica e se movimenta perigosamente no sentido
ascendente, estabelecendo, em instantes, condições críticas para a
sobrevivência na edificação.
Caso a
proximidade entre as fachadas da edificação incendiada e as adjacentes
possibilite a incidência de intensidades críticas de radiação, o incêndio
poderá se propagar (por radiação) para outras habitações, configurando uma
conflagração.
A proximidade
ainda maior entre habitações pode estabelecer uma situação ainda mais crítica
para a ocorrência da conflagração na medida em que o incêndio se alastrar muito
rapidamente por contato direto das chamas entre as fachadas.
No caso de
habitações agrupadas em bloco, a propagação do incêndio entre unidades poderá
se dar por condução de calor via paredes e forros, por destruição destas
barreiras, ou ainda, através da convecção de gases quentes que venham a
penetrar por aberturas existentes.
Com o consumo
do combustível existente no local ou decorrente da falta de oxigênio, o fogo
pode diminuir de intensidade, entrando na fase de resfriamento e conseqüente
extinção.
FATORES QUE
CONTRIBUEM PARA A EVOLUÇÃO DE UM INCÊNDIO
Os fatores que
contribuem para a evolução de um incêndio, já citados acima, estão relacionados
com a transmissão de calor que ocorre de três formas fundamentais:
1) por
condução, ou seja, através de um material sólido de uma região de temperatura
elevada em direção a uma outra região de baixa temperatura;
2) por
convecção, ou seja, por meio de um fluido líquido ou gás, entre dois corpos
submersos no fluido, ou entre um corpo e o fluido;
3) por
radiação, ou seja, por meio de um gás ou do vácuo, na forma de energia
radiante.
Num incêndio
as três formas geralmente são concomitantes, embora em determinado momento uma
delas seja predominante.
INFLUÊNCIA DO
CONTEÚDO COMBUSTÍVEL (CARGA DE INCÊNDIO)
O desenvolvimento
e a duração de um incêndio são influenciados pela quantidade de combustível a
queimar.
Com ele, a
duração decorre dividindo-se a quantidade de combustível pela taxa ou
velocidade de combustão.
Portanto
pode-se definir um parâmetro que exprime o poder calorífico médio da massa de
materiais combustíveis por unidade de área de um local, que se denomina carga
de incêndio específica (ou térmico) unitário e corresponde à carga de incêndio
específica (fire load density).
Na carga de
incêndio estão incluídos os componentes de construção, tais como revestimentos
de piso, forro, paredes, divisórias etc. (denominada carga de incêndio
incorporada), mas também todo o material depositado na edificação, tais como
peças de mobiliário, elementos de decoração, livros, papéis, peças de vestiário
e materiais de consumo (denominada carga de incêndio temporal).
INFLUÊNCIA DA
VENTILAÇÃO
Durante um
incêndio o calor emana gases dos materiais combustíveis, que podem em
decorrência da variação de temperatura interna e externa a edificação, ser mais
ou menos densos que o ar.
Esta diferença
de temperatura provoca um movimento ascensional dos gases que são
paulatinamente substituídos pelo ar que adentra a edificação por meio das
janelas e portas.
Disto ocorre
uma constante troca entre o ambiente interno e externo, com a saída dos gases
quentes e fumaça e a entrada de ar.
Em um incêndio
ocorrem dois casos típicos, que estão relacionados com a ventilação e com a
quantidade de combustível em chama.
No primeiro
caso, no qual a vazão de ar que adentra ao interior da edificação incendiada
for superior á necessidade da combustão dos materiais, temos um fogo aberto,
aproximando-se a uma queima de combustível ao ar livre, cuja característica
será de uma combustão rápida.
No segundo caso,
no qual a entrada de ar é controlada, ou deficiente em decorrência de pequenas
aberturas externas, temos um incêndio com duração mais demorada, cuja queima é
controlada pela quantidade de combustível, ou seja, pela carga incêndio. Na
qual a estrutura da edificação estará sujeita a temperaturas elevadas por um
tempo maior de exposição, até que ocorra a queima total do conteúdo do
edifício.
Em resumo, a
taxa de combustão de um incêndio pode ser determinada pela velocidade do
suprimento de ar, estando implicitamente relacionada com a quantidade de
combustível e sua disposição da área do ambiente em chamas e das dimensões das
aberturas.
Deste conceito
decorre a importância da forma e quantidade de aberturas em uma fachada.
MECANISMOS DE
MOVIMENTAÇÃO DOS GASES QUENTES
Quando se tem
um foco de fogo num ambiente fechado, numa sala, por exemplo, o calor destila
gases combustíveis do material e há ainda a formação de outros gases devido à
combustão dos gases destilados.
Estes gases
podem ser mais ou menos densos de acordo com a sua temperatura, a qual é sempre
maior do que e ambiente e, portanto, possuem uma força de flutuação com
movimento ascensional bem maior que o movimento horizontal.
Os gases
quentes vão-se acumulando junto ao forro e se espalhando por toda a camada
superior do ambiente, penetrando nas aberturas existentes no local.
Os gases
quentes, assim como a fumaça, gerados por uma fonte de calor (material em
combustão), fluem no sentido ascendente com formato de cone Invertido. Esta
figura é denominada "Plume".
Plume de
fumaça

Onde:
Q = taxa de
desenvolvimento de calor de fonte;
Z = distância
entre e fonte e a base do “plume”;
U = velocidade
do ar na região do "plume";
V = volume do
"plume";
Ćا
= diferença de temperatura entre o "plume” e o ambiente;
T =
temperatura do gás;
v = massa
especifica;
Cp = calor
específico.
De acordo com
a quantidade de materiais combustíveis, da sua disposição, da área e volume do
local e das dimensões das aberturas, a taxa de queima pode ser determinada pela
velocidade de suprimento do ar.
Entretanto,
quando a vazão do ar for superior às necessidades da combustão, então a taxa de
queima não será mais controlada por este mecanismo, aproximando-se, neste caso,
à combustão do material ao ar livre.
No Incêndio,
devido ao alto nível de energia a que ficam expostos, os materiais destilam
gases combustíveis que não queimam no ambiente, por falta de oxigênio. Estes
gases superaquecidos, com temperaturas muito superiores às de sua auto-ignição,
saindo pelas aberturas, encontram o oxigênio do ar externo ao ambiente e se
ignizam formando grandes labaredas.
As chamas
assim formadas são as responsáveis pela rápida propagação vertical nos atuais
edifícios que não possuem sistemas para evitá-las.
EFEITOS DA
FUMAÇA
Associadas ao
incêndio e acompanhando o fenômeno da combustão, aparecem, em geral, quatro
causas determinantes de uma situação perigosa:
1) calor;
2) chamas;
3) fumaça;
4)
insuficiência de oxigênio.
Do ponto de
vista de segurança das pessoas, entre os quatro fatores considerados, a fumaça
indubitavelmente causa danos mais greves, e, portanto, deve ser o fator mais
importante a ser considerado.
A fumaça pode
ser definida como uma mistura complexa de sólidos em suspensão, vapores e
gases, desenvolvida quando um material sofre o processo de pirólise
(decomposição por efeito do calor) ou combustão.
Os componentes
desta mistura, associados ou não, influem diferentemente sobre as pessoas,
ocasionando os seguintes efeitos:
1) diminuição
da visibilidade devido à atenuação luminosa do local;
2)
lacrimejamento e irritações dos olhos;
3) modificação
de atividade orgânica pela aceleração da respiração e batidas cardíacas;
4) medo;
5)
desorientação;
6) Intoxicação
e asfixia;
7) vômitos e
tosse.
A redução da
visibilidade do local impede e locomoção das pessoas fazendo com que fiquem
expostas por tempo maior aos gases e vapores tóxicos. Estes, por sua vez,
causam a morte se estiverem presentes em quantidade suficiente e se as pessoas
ficarem expostas durante o tempo que acarreta esta ação.
Daí decorre a
importância em se entender o comportamento da fumaça em uma edificação.
A propagação
da fumaça está diretamente relacionada com a taxa de elevação da temperatura;
portanto, a fumaça desprendida por qualquer material, desde que exposta à mesma
taxa de elevação da temperatura, gerará igual propagação.
Se
conseguirmos determinar os valores de densidade ótica da fumaça e da toxicidade
na saída de um ambiente sinistrado, poderemos estudar o movimento do fluxo de
ar quente e, então, será possível determinar o tempo e a área do edifício que
se tornará perigosa, devido à propagação da fumaça.
Assim, se
conseguirmos determinar o valor de Q e se utilizarmos as características do
"Plume" (V, g, Q, y, Cp, T), prognosticando a formação da camada de
fumaça dentro do ambiente, será possível calcular o tempo em que este ambiente
se tornará perigoso. De outro modo, se o volume V de fumaça se propagar em
pouco tempo por toda a extensão do forro e se fizermos com que Q seja uma
função de tempo, o cálculo do valor de Z pode ser obtido em função do tempo e
esta equação diferencial pode ser resolvida. Isto permitirá determinar o tempo
necessário para evacuar o ambiente, antes que a fumaça atinja a altura de um
homem.
A movimentação
da fumaça através de corredores e escadas dependerá, sobretudo das aberturas
existentes e da velocidade do ar nestes locais, porém, se o mecanismo de
locomoção for considerado em relação às características do "Plume",
pode-se, então, estabelecer uma correlação com o fluxo de água. Em casos em que
exista um exaustor de seção quadrada menor que e largura do corredor; e se a
fumaça vier fluindo em sua direção, parte desta fumaça será exaurida e grande
parte passará direta e continuará fluindo para o outro lado. No entanto, se o
fluxo de fumaça exaurir-se através de uma abertura que possua largura igual à
do corredor, a fumaça será retirada totalmente.
Foi verificado
que quanto mais a fumaça se alastrar, menor será a espessura de sua camada, e
que a velocidade de propagação de fumaça na direção horizontal, no caso dos
corredores, está em torno de 1 m/s, e na direção vertical, no caso das escadas,
está entre 2 m/s e 3 m/s.
PROCESSO DE
CONTROLE DE FUMAÇA
O processo de
Controle de Fumaça necessário em cada edifício para garantir a segurança de
seus ocupantes contra o fogo e fumaça é baseado nos princípios de engenharia. O
processo deve ter a flexibilidade e a liberdade de seleção de método e da
estrutura do sistema de segurança para promover os requisitos num nível de segurança
que se deseja.
Em outras
palavras, o objetivo do projeto da segurança de prevenção ao fogo (fumaça) é
obter um sistema que satisfaça as conveniências das atividades diárias, devendo
ser econômico, garantindo a segurança necessária sem estar limitado por método
ou estruturas especiais prefixados.
Existem vários
meios para controlar o movimento da fumaça, e todos eles têm por objetivo
encontrar um meio ou um sistema levando-se em conta as características de cada
edifício.
Como condições
que tem grande efeito sobre o movimento da fumaça no edifício, podem-se citar:
1) momento
(época do ano) da ocorrência do incêndio;
2) condições
meteorológicas (direção e velocidade e coeficiente de pressão do vento e
temperatura do ar);
3) localização
do início do fogo;
4) resistência
ao fluxo do ar das portas, janelas, dutos e chaminés;
5)
distribuição da temperatura no edifício (ambiente onde está ocorrendo o fogo,
compartimentos em geral, caixa da escada, dutos e chaminés).
Devem-se
estabelecer os padrões para cada uma destas condições.
Entende-se
como momento de ocorrência do incêndio a época do ano (verão/inverno) em que
isto possa ocorrer, pois, para o cálculo, deve-se levar em conta a diferença de
temperatura existente entre o ambiente interno e o externo ao edifício. Esta
diferença será grande, caso sejam utilizados aquecedores ou ar condicionado no
edifício.
As condições
meteorológicas devem ser determinadas pelos dados estatísticos meteorológicos
da região na qual está situado o edifício, para as estações quentes e frias.
Pode-se
determinar a temperatura do ar, a velocidade do vento, coeficiente de pressão
do vento e a direção do vento.
O andar do
prédio onde se iniciou o incêndio deve ser analisado, considerando-se o efeito
da ventilação natural (movimento ascendente ou descendente da fumaça) através
das aberturas ou dutos durante o período de utilização, ou seja, no inverno o
prédio é aquecido e no verão, resfriado. Considerando-se esses dados, os
estudos devem ser levados a efeito nos andares inferiores no inverno (térreo,
sobreloja e segundo andar) ou nos andares superiores e inferiores no verão (os
dois últimos andares do prédio e térreo).
Em muitos
casos, existem andares que possuem características perigosas, pois propiciam a
propagação de fumaça caso ocorra incêndio neste local. Em adição, para tais
casos, é necessário um trabalho mais aprofundado para estudar as várias
situações de mudança das condições do andar, por exemplo, num edifício com
detalhes especiais de construção.
Com relação ao
compartimento de origem do fogo, devem-se levar em consideração os seguintes
requisitos para o andar em questão:
1)
compartimento densamente ocupado, com ocupações totalmente distintas;
2) o
compartimento apresenta grande probabilidade de iniciar o incêndio;
3) o
compartimento possui características de difícil controle da fumaça.
Quando
existirem vários compartimentos que satisfaçam estas condições, devem-se fazer
estudos em cada um deles, principalmente se as medidas de controle de fumaça
determinadas levarem a resultados bastante diferentes.
O valor da
resistência ao fluxo do ar das aberturas à temperatura ambiente pode ser
facilmente obtido a partir de dados de projeto de ventilação, porém é muito
difícil estimar as condições das aberturas das janelas e portas numa situação
de incêndio.
Para se
determinar as temperaturas dos vários ambientes do edifício deve-se considerar
que os mesmos não sofreram modificações com o tempo.
A temperatura
média no local do fogo é considerada 900ºC com o Incêndio totalmente desenvolvido
no compartimento.
ISOLAMENTO DE
RISCO
A Propagação
do incêndio entre edifícios isolados pode se dar através dos seguintes
mecanismos:
1) Radiação
térmica, emitida:
a) através das
aberturas existentes na fachada do edifício incendiado;
b) através da
cobertura do edifício incendiado;
c) pelas
chamas que saem pelas aberturas na fachada ou pela cobertura;
d) pelas
chamas desenvolvidas pela própria fachada, quando esta for composta por
materiais combustíveis;
2) Convecção,
que ocorre quando os gases quentes emitidos pelas aberturas existentes na
fachada ou pela cobertura do edifício incendiado atinjam a fachada do edifício
adjacente;
3) Condução,
que ocorre quando as chamas da edificação ou parte da edificação contígua a uma
outra, atingem a esta transmitindo calor e incendiando a mesma.
Desta forma há
duas maneiras de isolar uma edificação em relação à outra. São:
1) por meio de
distanciamento seguro (afastamento) entre as fachadas das edificações;
2) por meio de
barreiras estanques entre edifícios contíguos;
Com a previsão
das paredes corta-fogo, uma edificação é considerada totalmente estanque em
relação à edificação contígua.
O
distanciamento seguro entre edifícios pode ser obtido por meio de uma distância
mínima horizontal entre fachadas de edifícios adjacentes, capaz de evitar a
propagação de incêndio entre os mesmos, decorrente do calor transferido por
radiação térmica através da fachada e/ou por convecção através da cobertura.
Em ambos os
casos o incêndio irá se propagar, ignizando através das aberturas, os materiais
localizados no interior dos edifícios adjacentes e/ou ignizando materiais
combustíveis localizados em suas próprias fachadas.
COMPARTIMENTAÇÃO
VERTICAL E HORIZONTAL
A partir da
ocorrência de inflamação generalizada no ambiente de origem do incêndio, este
poderá propagar-se para outros ambientes através dos seguintes mecanismos
principais:
1) convecção
de gases quentes dentro do próprio edifício;
2) convecção
dos gases quentes que saem pelas janelas (incluindo as chamas) capazes de
transferir o fogo para pavimentos superiores;
3) condução de
calor através das barreiras entre compartimentos;
4) destruição
destas barreiras.
Frente à
necessidade de limitação da propagação do incêndio, a principal medida a ser
adotada consiste na compartimentação, que visa dividir o edifício em células
capacitadas a suportar a queima dos materiais combustíveis nelas contidos,
impedindo o alastramento do incêndio.
Os principais
propósitos da compartimentação são:
1) conter o
fogo em seu ambiente de origem;
2) manter as
rotas de fuga seguras contra os efeitos do incêndio;
3) facilitar
as operações de resgate e combate ao incêndio.
A capacidade
dos elementos construtivos de suportar a ação do incêndio denomina-se
“resistência ao fogo” e se refere ao tempo durante o qual conservam suas
características funcionais (vedação e/ou estrutural).
O método
utilizado para determinar a resistência ao fogo consiste em expor um protótipo
(reproduzindo tanto quanto possível as condições de uso do elemento construtivo
no edifício), a uma elevação padronizada de temperatura em função do tempo.
Ao longo do
tempo são feitas medidas e observações para determinar o período no qual o
protótipo satisfaz a determinados critérios relacionados com a função do
elemento construtivo no edifício.
O protótipo do
elemento de compartimentação deve obstruir a passagem do fogo mantendo,
obviamente, sua integridade (recebe por isto a denominação de corta-fogo).
A elevação
padronizada de temperatura utilizada no método para determinação da resistência
ao fogo constitui-se em uma simplificação das condições encontradas nos
incêndios e visa reproduzir somente a fase de inflamação generalizada.
Deve-se
ressaltar que, de acordo com a situação particular do ambiente incendiado, irão
ocorrer variações importantes nos fatores que determinam o grau de severidade
de exposição, que são:
1) duração da
fase de inflamação generalizada;
2) temperatura
média dos gases durante esta fase;
3) fluxo de
calor médio através dos elementos construtivos.
Os valores de
resistência ao fogo a serem requeridos para a compartimentação na Especificação
foram obtidos tomando-se por base:
1) a
severidade (relação temperatura x tempo) típica do incêndio;
2) a
severidade obtida nos ensaios de resistência ao fogo.
A severidade
típica do incêndio é estimada de acordo com a variável ocupação (natureza das
atividades desenvolvidas no edifício).
A
compartimentação horizontal se destina a impedir a propagação do incêndio de
forma que grandes áreas sejam afetadas, dificultando sobremaneira o controle do
incêndio, aumentando o risco de ocorrência de propagação vertical e aumentando
o risco à vida humana.
A
compartimentação horizontal pode ser obtida através dos seguintes dispositivos:
1) paredes e
portas corta-fogo;
2) registros
corta-fogo nos dutos que traspassam as paredes corta-fogo;
3) selagem
corta-fogo da passagem de cabos elétricos e tubulações das paredes corta-fogo;
afastamento
horizontal entre janelas de setores compartimentados.
A
compartimentação vertical se destina a impedir o alastramento do incêndio entre
andares e assume caráter fundamental para o caso de edifícios altos em geral.
A
compartimentação vertical deve ser tal que cada pavimento componha um
compartimento isolado, para isto são necessários:
1) lajes
corta-fogo;
2)
enclausuramento das escadas através de paredes e portas corta-fogo;
3) registros
corta-fogo em dutos que intercomunicam os pavimentos;
4) selagem
corta-fogo de passagens de cabos elétricos e tubulações, através das lajes;
5) utilização
de abas verticais (parapeitos) ou abas horizontais projetando-se além da
fachada, resistentes ao fogo e separando as janelas de pavimentos consecutivos
(neste caso é suficiente que estes elementos mantenham suas características
funcionais, obstruindo desta forma a livre emissão de chamas para o exterior).
RESISTÊNCIA AO
FOGO DAS ESTRUTURAS
Uma vez que o
incêndio atingiu a fase de inflamação generalizada, os elementos construtivos
no entorno de fogo estarão sujeitos à exposição de intensos fluxos de energia
térmica.
A capacidade
dos elementos estruturais de suportar por determinado período tal ação, que se
denomina de resistência ao fogo, permite preservar a estabilidade estrutural do
edifício.
Durante o
incêndio a estrutura do edifício como um todo estará sujeita a esforços
decorrentes de deformações térmicas, e os seus materiais constituintes estarão
sendo afetados (perdendo resistência) por atingir temperaturas elevadas.
O efeito
global das mudanças promovidas pelas altas temperaturas alcançadas nos
incêndios sobre a estrutura do edifício, traduz-se na diminuição progressiva da
sua capacidade portante.
Durante este
processo pode ocorrer que, em determinado instante, o esforço atuante em uma
seção se iguale ao esforço resistente, podendo ocorrer o colapso do elemento
estrutural.
Os objetivos
principais de garantir a resistência ao fogo dos elementos estruturais são:
1)
Possibilitar a saída dos ocupantes da edificação em condições de segurança;
2) Garantir
condições razoáveis para o emprego de socorro público, onde se permita o acesso
operacional de viaturas, equipamentos e seus recursos humanos, com tempo hábil
para exercer as atividades de salvamento (pessoas retidas) e combate a incêndio
(extinção);
3) Evitar ou
minimizar danos ao próprio prédio, a edificações adjacentes, à infra-estrutura
pública e ao meio ambiente.
Em suma, as
estruturas dos edifícios, principalmente as de grande porte, independentemente
dos materiais que as constituam, devem ser dimensionadas, de forma a possuírem
resistência ao fogo compatível com a magnitude do incêndio que possam vir a ser
submetidas.
MATERIAIS
Embora os
materiais combustíveis contidos no edifício e constituintes do sistema
construtivo possam ser responsáveis pelo início do incêndio, muito freqüentemente
são os materiais contidos no edifício que se ignizam em primeiro lugar.
À medida que
as chamas se espalham sobre a superfície do primeiro objeto ignizado e, talvez,
para outros objetos contíguos, o processo de combustão torna-se mais fortemente
influenciado por fatores característicos do ambiente.
Se a
disponibilidade de ar for assegurada, a temperatura do compartimento subirá
rapidamente e uma camada de gases quentes se formará abaixo do teto, sendo que
intensos fluxos de energia térmica radiante se originarão, principalmente, a
partir do teto aquecido. Os materiais combustíveis existentes no compartimento,
aquecidos por convecção e radiação, emitirão gases inflamáveis. Isto levará a
uma inflamação generalizada e todo o ambiente tornar-se-á envolvido pelo fogo,
sendo que e os gases que não queimam serão emitidos pelas aberturas do
compartimento.
A
possibilidade de um foco de incêndio extinguir-se ou evoluir em um grande
incêndio (atingir a fase de inflamação generalizada) depende de três fatores
principais:
1) Razão de
desenvolvimento de calor pelo primeiro objeto ignizado;
2) Natureza,
distribuição e quantidade de materiais combustíveis no compartimento
incendiado;
3) Natureza
das superfícies dos elementos construtivos sob o ponto de vista de sustentar a
combustão a propagar as chamas.
Os dois
primeiros fatores dependem largamente dos materiais contidos no compartimento.
O primeiro está absolutamente fora do controle do projetista. Sobre o segundo é
possível conseguir-se no máximo, um controle parcial. O terceiro fator está, em
grande medida, sob o controle do projetista, que pode adicionar minutos
preciosos ao tempo da ocorrência da inflamação generalizada, pela escolha
criteriosa dos materiais de revestimento.
Quando os
materiais de revestimento são expostos a uma situação de início de incêndio, a
contribuição que possa vir a trazer para o seu desenvolvimento, ao sustentar a
combustão, e possibilitar a propagação superficial das chamas, denomina-se
“reação ao fogo”. As características de reação ao fogo dos materiais,
utilizadas como revestimento dos elementos construtivos, podem ser avaliadas em
laboratórios, obtendo-se assim subsídios para a seleção dos materiais na fase
de projeto da edificação.
Os métodos de
ensaio utilizados em laboratório para estas avaliações estipulam condições
padronizadas a que os materiais devem ser expostos, que visam a reproduzir
certas situações críticas, características dos incêndios antes de ocorrência de
inflamação generalizada. O desempenho que a superfície de um elemento
construtivo deve apresentar, para garantir um nível mais elevado de segurança
contra incêndio, deve ser retirado de uma correlação entre os índices ou
categorias obtidos nos ensaios e a função do elemento construtivo
(conseqüentemente, sua provável influência no incêndio).
A influência
de determinado elemento construtivo na evolução de um incêndio se manifesta de
duas maneiras distintas.
A primeira
delas se refere à posição relativa do elemento no ambiente, por exemplo, a
propagação de chamas na superfície inferior do forro é fator comprovadamente
mais crítico para o desenvolvimento do incêndio do que a propagação de chamas
no revestimento do piso, pois a transferência de calor, a partir de um foco de
incêndio, é, em geral muito mais intensa no forro; neste sentido o material de
revestimento do forro deve apresentar um melhor desempenho nos ensaios de
laboratório.
O outro tipo
de influência se deve ao local onde o material está instalado: por exemplo, a
propagação de chamas no forro posicionado nas proximidades das janelas, em
relação ao forro afastado das janelas, a fator acentuadamente mais crítico para
a transferência do incêndio entre pavimentos, pois além de sua eventual
contribuição para a emissão de chamas para o exterior, estará mais exposto (quando
o incêndio se desenvolver em um pavimento inferior) a gases quentes e chamas
emitidas através das janelas inferiores. Algo semelhante se dá em relação à
propagação do incêndio entre edifícios, onde os materiais combustíveis
incorporados aos elementos construtivos nas proximidades das fachadas podem
facilitar a propagação do incêndio entre edifícios.
Os dois
métodos de ensaio básicos para avaliar as características dos materiais
constituintes do sistema construtivo, sob o ponto de vista de sustentar a
combustão e propagar as chamas, são os seguintes;
1) Ensaio de
incombustibilidade que possibilitam verificar se os materiais são passíveis de
sofrer a ignição e, portanto, estes ensaios possuem capacidade de contribuir
para a evolução da prevenção de incêndio;
2) Ensaio da
propagação superficial de chamas, por meio do qual os materiais passíveis de se
ignizarem (materiais combustíveis de revestimento) podem ser classificados com
relação à rapidez de propagação superficial de chamas e a quantidade de calor
desenvolvido neste processo.
Uma outra
característica que os materiais incorporados aos elementos construtivos
apresentam, diz respeito a fumaça que podem desenvolver à medida em que são
expostos a uma situação de início de incêndio. Em função da quantidade de
fumaça que podem produzir e da opacidade desta fumaça, os materiais
incorporados aos elementos construtivos podem provocar empecilhos importantes à
fuga das pessoas e ao combate do incêndio.
Para avaliar
esta característica deve-se utilizar o método de ensaio para determinação da
densidade ótica da fumaça produzida na combustão ou pirólise dos materiais.
O controle da
quantidade de materiais combustíveis incorporados aos elementos construtivos
apresenta dois objetivos distintos. O primeiro é dificultar a ocorrência da
inflamação generalizada no local em que o incêndio se origina. O segundo,
considerando que a inflamação generalizada tenha ocorrido, é limitar a
severidade além do ambiente em que se originou.
Com relação ao
primeiro objetivo, a utilização intensiva de revestimentos combustíveis capazes
de contribuir para o desenvolvimento do incêndio ao sofrerem a ignição e ao
levar as chamas para outros objetos combustíveis além do material / objeto onde
o fogo se iniciou.
Com relação ao
segundo objetivo, quanto maior for a quantidade de materiais combustíveis
envolvidos no incêndio maior severidade este poderá assumir, aumentando assim o
seu potencial de causar danos e a possibilidade de se propagar para outros
ambientes do edifício.
O método para
avalizar a quantidade de calor com que os materiais incorporados aos elementos
construtivos podem contribuir para o desenvolvimento do incêndio é denominado
“ensaio para determinação do calor potencial”.
SAÍDA DE
EMERGÊNCIA
Para
salvaguardar a vida humana em caso de incêndio é necessário que as edificações
sejam dotadas de meios adequados de fuga, que permitam aos ocupantes se
deslocarem com segurança para um local livre da ação do fogo, calor e fumaça, a
partir de qualquer ponto da edificação, independentemente do local de origem do
incêndio.
Além disso,
nem sempre o incêndio pode ser combatido pelo exterior do edifício, decorrente
da altura do pavimento onde o fogo se localiza ou pela extensão do pavimento
(edifícios térreos).
Nestes casos,
há a necessidade da brigada de incêndio ou do Corpo de Bombeiros de adentrar ao
edifício pelos meios internos a fim de efetuar ações de salvamento ou combate.
Estas ações
devem ser rápidas e seguras, e normalmente utilizam os meios de acesso da
edificação, que são as próprias saídas de emergência ou escadas de segurança
utilizadas para a evacuação de emergência,
Para isto ser
possível as rotas de fuga devem atender, entre outras, as seguintes condições
básicas:
O número de
saídas difere para os diversos tipos de ocupação, em função da altura,
dimensões em planta e características construtivas.
Normalmente o
número mínimo de saídas consta de códigos e normas técnicas que tratam do
assunto.
A distância
máxima a percorrer consiste no caminhamento entre o ponto mais distante de um
pavimento até o acesso a uma saída neste mesmo pavimento.
Da mesma forma
como o item anterior, essa distância varia conforme o tipo de ocupação e as
características construtivas do edifício e a existência de chuveiros
automáticos como proteção.
Os valores
máximos permitidos constam dos textos de códigos e normas técnicas que tratam
do assunto.
O número
previsto de pessoas que deverão usar as escadas e rotas de fuga horizontais é
baseado na lotação da edificação, calculada em função das áreas dos pavimentos
e do tipo de ocupação.
As larguras
das escadas de segurança e outras rotas devem permitir desocupar todos os
pavimentos em um tempo aceitável como seguro.
Isto indica a
necessidade de compatibilizar a largura das rotas horizontais e das portas com
a lotação dos pavimentos e de adotar escadas com largura suficiente para
acomodar em seus interiores toda a população do edifício.
As normas
técnicas e os códigos de obras estipulam os valores das larguras mínimas
(denominado de Unidade de Passagem) para todos os tipos de ocupação.
As saídas
(para um local seguro) e as escadas devem ser localizadas de forma a propiciar
efetivamente aos ocupantes a oportunidade de escolher a melhor rota de escape.
Para isto
devem estar suficientemente afastadas uma das outras, uma vez que a previsão de
duas escadas de segurança não estabelecerá necessariamente rotas distintas de
fuga, pois em função de proximidade de ambas, em um único foco de incêndio
poderá torná-las inacessível.
A descarga das
escadas de segurança deve se dar preferencialmente para saídas com acesso
exclusivo para o exterior, localizado em pavimento ao nível da via pública.
Outras saídas
podem ser aceitas, como as diretamente no átrio de entrada do edifício, desde
que alguns cuidados sejam tomados, representados por:
1) sinalização
dos caminhos a tomar;
2) saídas
finais alternativas;
3)
compartimentação em relação ao subsolo e proteção contra queda de objetos
(principalmente vidros) devido ao incêndio e etc.
A largura
mínima das escadas de segurança varia conforme os códigos e Normas Técnicas,
sendo normalmente 2,20 m para hospitais e entre 1,10 m a 1,20 m para as demais
ocupações, devendo possuir patamares retos nas mudanças de direção com largura
mínima igual à largura da escada.
As escadas de
segurança devem ser construídas com materiais incombustíveis, sendo também
desejável que os materiais de revestimento sejam incombustíveis.
As escadas de
segurança devem possuir altura e largura ergométrica dos degraus, corrimãos
corretamente posicionados, piso antiderrapante, além de outras exigências para
conforto e segurança.
ESCADAS DE
SEGURANÇA
Todas as
escadas de segurança devem ser enclausuradas com paredes resistentes ao fogo e
portas corta-fogo. Em determinadas situações estas escadas também devem ser
dotadas de antecâmaras enclausuradas de maneira a dificultar o acesso de fumaça
no interior da caixa de escada. As dimensões mínimas (largura e comprimento)
são determinadas nos códigos e Normas Técnicas.
A antecâmara
só deve dar acesso à escada e a porta entre ambas, quando aberta, não deve
avançar sobre o patamar da mudança da direção, de forma a prejudicar a livre
circulação.
Para prevenir
que o fogo e a fumaça desprendidos por meio das fachadas do edifício penetrem
em eventuais aberturas de ventilação na escada e antecâmara, deve ser mantida
uma distância horizontal mínima entre estas aberturas e as janelas do edifício.
ACESSOS
Quando a rota
de fuga horizontal incorporar corredores, o fechamento destes deve ser feito de
forma a restringir a penetração de fumaça durante o estágio inicial do
incêndio. Para isto suas paredes e portas devem apresentar resistência ao fogo.
Para prevenir
que corredores longos se inundem de fumaça, é necessário prever aberturas de
exaustão e sua subdivisão com portas à prova de fumaça.
As portas
incluídas nas rotas de fuga não podem ser trancadas, entretanto devem
permanecer sempre fechadas, dispondo para isto de um mecanismo de fechamento
automático.
Alternativamente,
estas portas podem permanecer abertas, desde que o fechamento seja acionado
automaticamente no momento do incêndio.
Estas portas
devem abrir no sentido do fluxo, com exceção do caso em que não estão
localizadas na escada ou na antecâmara e não são utilizadas por mais de 50
pessoas. Para prevenir acidentes e obstruções, não devem ser admitidos degraus
junto à soleira, e a abertura de porta não deve obstruir a passagem de pessoas
nas rotas de fuga.
O único tipo
de porta admitida é aquele com dobradiças de eixo vertical com único sentido de
abertura.
Dependendo da
situação, tais portas podem ser a prova de fumaça, corta fogo ou ambos.
A largura
mínima do vão livre deve ser de 0,8 m.
SISTEMA DE
ILUMINAÇÃO DE EMERGÊNCIA
Esse sistema
consiste em um conjunto de componentes e equipamentos que, em funcionamento,
propicia a iluminação suficiente e adequada para:
1) permitir a
saída fácil e segura do público para o
2) exterior,
no caso de interrupção de alimentação normal;
3) garantir
também a execução das manobras de interesse da segurança e intervenção de
socorro.
A iluminação
de emergência para fins de segurança contra incêndio pode ser de dois tipos:
1) de
balizamento;
2) de
aclaramento.
A iluminação
de balizamento é aquela associada à sinalização de indicação de rotas de fuga,
com a função de orientar a direção e o sentido que as pessoas devem seguir em
caso de emergência.
A iluminação
de aclaramento se destina a iluminar as rotas de fuga de tal forma que os
ocupantes não tenham dificuldade de transitar por elas.
A iluminação
de emergência se destina a substituir a iluminação artificial normal que pode
falhar em caso de incêndio, por isso deve ser alimentada por baterias ou por
moto-geradores de acionamento automático e imediato; a partir da falha do
sistema de alimentação normal de energia.
Dois métodos
de iluminação de emergência são possíveis:
1) iluminação
permanente, quando as instalações são alimentadas em serviço normal pela fonte
normal e cuja alimentação é comutada automaticamente para a fonte de
alimentação própria em caso de falha da fonte normal;
2) iluminação
não permanente, quando as instalações não são alimentadas em serviço normal e,
em caso de falha da fonte normal, são alimentadas automaticamente pela fonte de
alimentação própria.
Sua previsão
deve ser feita nas rotas de fuga, tais como corredores, acessos, passagens
antecâmara e patamares de escadas.
Seu
posicionamento, distanciamento entre pontos e sua potência são determinados nas
Normas Técnicas Oficiais.
ELEVADOR DE
SEGURANÇA
Para o caso de
edifícios altos, adicionalmente a escada, é necessária a disposição de
elevadores de emergência, alimentada por circuito próprio e concebida de forma
a não sofrer interrupção de funcionamento durante o incêndio.
Esses
elevadores devem:
1) apresentar
a possibilidade de serem operados pela brigada do edifício ou pelos bombeiros.
2) estar
localizados em área protegida dos efeitos do incêndio.
O número de
elevadores de emergência necessário a suas localizações são estabelecidos
levando-se em conta as áreas dos pavimentos e as distâncias a percorrer para
serem alcançados a partir de qualquer ponto do pavimento.
ACESSO A
VIATURAS DO CORPO DE BOMBEIROS
Os
equipamentos de combate devem-se aproximar ao máximo do edifício afetado pelo
incêndio, de tal forma que o combate ao fogo possa ser iniciado sem demora e
não seja necessária a utilização de linhas de mangueiras muito longas.
Para isto, se
possível, o edifício deve estar localizado ao longo de vias públicas ou
privadas que possibilitam a livre circulação de veículos de combate e o seu
posicionamento adequado em relação às fachadas, aos hidrantes e aos acessos ao
interior do edifício. Tais vias também devem ser preparadas para suportar os
esforços provenientes da circulação, estacionamento a manobras destes veículos.
O número de fachada
que deve permitir a aproximação dos veículos de combate deve ser determinado
tendo em conta a área de cada pavimento, a altura e o volume total do edifício.
MEIOS DE AVISO
E ALERTA
Sistema de
alarme manual contra incêndio e detecção automática de fogo e fumaça
Quanto mais
rapidamente o fogo for descoberto, correspondendo a um estágio mais incipiente
do incêndio, tanto mais fácil será controlá-lo; além disso, tanto maiores serão
as chances dos ocupantes do edifício escaparem sem sofrer qualquer injúria.
Uma vez que o
fogo foi descoberto, a seqüência de ações normalmente adotada é a seguinte:
alertar o controle central do edifício; fazer a primeira tentativa de extinção
do fogo, alertar os ocupantes do edifício para iniciar o abandono do edifício,
e informar o serviço de combate a incêndios (Corpo de Bombeiros). A detecção
automática é utilizada com o intuito de vencer de uma única vez esta série de
ações, propiciando a possibilidade de tomar-se uma atitude imediata de controle
de fogo e da evacuação do edifício.
O sistema de
detecção e alarme pode ser dividido basicamente em cinco partes:
1) Detector de
incêndio, que se constitui em partes do sistema de detecção que constantemente
ou em intervalos para a detecção de incêndio em sua área de atuação. Os
detectores podem ser divididos de acordo com o fenômeno que detectar em:
a) térmicos,
que respondem a aumentos da temperatura;
b) de fumaça,
sensíveis a produtos de combustíveis e/ou pirólise suspenso na atmosfera;
c) de gás,
sensíveis aos produtos gasosos de combustão e/ou pirólise;
d) de chama,
que respondem as radiações emitidas pelas chamas.
2) Acionador
manual, que se constitui em parte do sistema destinada ao acionamento do
sistema de detecção;
3) Central de
controle do sistema, pela qual o detector é alimentado eletricamente a ter a
função de:
a) receber,
indicar e registrar o sinal de perigo enviado pelo detector;
b) transmitir
o sinal recebido por meio de equipamento de envio de alarme de incêndio para,
por exemplo:
• dar o alarme
automático no pavimento afetado pelo fogo;
• dar o alarme
automático no pavimento afetado pelo fogo;
• dar o alarme
temporizado para todo o edifício; acionar uma instalação automática de extinção
de incêndio; fechar portas; etc;
• controlar o
funcionamento do sistema;
• possibilitar
teste.
4) Avisadores
sonoros e/ou visuais, não incorporados ao painel de alarme, com função de, por
decisão humana, dar o alarme para os ocupantes de determinados setores ou de
todo o edifício;
5) Fonte de
alimentação de energia elétrica, que deve garantir em quaisquer circunstâncias
o funcionamento do sistema.
O tipo de
detector a ser utilizado depende das características dos materiais do local e
do risco de incêndio ali existente. A posição dos detectores também é um fator
importante e a localização escolhida (normalmente junto à superfície inferior
do forro) deve ser apropriada à concentração de fumaça e dos gases quentes.
Para a
definição dos aspectos acima e dos outros necessários ao projeto do sistema de
detecção automática devem ser utilizadas as normas técnicas vigentes.
O sistema de
detecção automática deve ser instalado em edifícios quando as seguintes
condições sejam simultaneamente preenchidas:
1) início do
incêndio não pode ser prontamente percebido de qualquer parte do edifício pelos
seus ocupantes;
2) grande
número de pessoas para evacuar o edifício;
3) tempo de
evacuação excessivo;
4) risco
acentuado de início e propagação do incêndio;
5) estado de
inconsciência dos ocupantes (sono em hotel, hospitais etc);
6) incapacitação
dos ocupantes por motivos de saúde (hospitais, clínicas com internação).
Os acionadores
manuais devem ser instalados em todos os tipos de edifício, exceto nos de
pequeno porte onde o reconhecimento de um princípio de incêndio pode ser feito
simultaneamente por todos os ocupantes, não comprometendo a fuga dos mesmos ou
possíveis tentativas de extensão.
Os acionadores
manuais devem ser instalados mesmo em edificações dotadas de sistema de
detecção automática e/ou extinção automática, já que o incêndio pode ser
percebido pelos ocupantes antes de seus efeitos sensibilizarem os detectores ou
os chuveiros automáticos.
A partir daí,
os ocupantes que em primeiro lugar detectarem o incêndio, devem ter rápido
acesso a um dispositivo de acionamento do alarme, que deve ser devidamente
sinalizado a propiciar facilidade de acionamento.
Os acionadores
manuais devem ser instalados nas rotas de fuga, de preferência nas proximidades
das saídas (nas proximidades das escadas de segurança, no caso de edifícios de
múltiplos pavimentos). Tais dispositivos devem transmitir um sinal de uma
estação de controle, que faz parte integrante do sistema, a partir do qual as
necessárias providências devem ser tomadas.
SINALIZAÇÃO
A sinalização
de emergência utilizada para informar e guiar os ocupantes do edifício,
relativamente a questões associadas aos incêndios, assume dois objetivos:
1) reduzir a
probabilidade de ocorrência de incêndio;
2) indicar as
ações apropriadas em caso de incêndio.
O primeiro
objetivo tem caráter preventivo e assume as funções de:
1) alertar
para os riscos potenciais;
2) requerer
ações que contribuam para a segurança contra incêndio;
3) proibir
ações capazes de afetar a segurança contra incêndio.
O segundo
objetivo tem caráter de proteção, e assume as funções de:
1) indicar a
localização dos equipamentos de combate;
2) orientar as
ações as de combate;
3) indicar as
rotas de fuga e os caminhos a serem seguidos.
A sinalização
de emergência deve ser dividida de acordo com suas funções em seis categorias:
1) sinalização
de alerta, cuja função é alertar para áreas e materiais com potencial de risco;
2) sinalização
de comando, cuja função é requerer ações que condições adequadas para a
utilização das rotas de fuga;
3) sinalização
de proibição, cuja função é proibir ações capazes de conduzir ao início do
incêndio;
4) sinalização
de condições de orientação e salvamento, cuja função é indicar as rotas de
saída e ações necessárias para o seu acesso;
5) sinalização
dos equipamentos de combate, cuja função é indicar a localização e os tipos dos
equipamentos de combate.
EXTINTORES
PORTÁTEIS E EXTINTORES SOBRE RODAS (CARRETAS).
O extintor
portátil é um aparelho manual, constituído de recipiente e acessório, contendo
o agente extintor, destinado a combater princípios de incêndio.
O extintor
sobre rodas (carreta) também é constituído em um único recipiente com agente
extintor para extinção do fogo, porém com capacidade de agente extintor em
maior quantidade.
As previsões
destes equipamentos nas edificações decorrem da necessidade de se efetuar o
combate ao incêndio imediato, após a sua detecção, em sua origem, enquanto são
pequenos focos.
Estes
equipamentos primam pela facilidade de manuseio, de forma a serem utilizados
por homens e mulheres, contando unicamente com um treinamento básico.
Além disso, os
preparativos necessários para o seu manuseio não consomem um tempo
significativo, e conseqüentemente , não inviabilizam sua eficácia em função do
crescimento do incêndio.
Os extintores
portáteis e sobre rodas podem ser divididos em cinco tipos, de acordo com o
agente extintor que utilizam:
1) água;
2) espuma
mecânica;
3) pó químico
seco;
4) bióxido de
carbono;
5) halon.
Esses agentes
extintores se destinam a extinção de incêndios de diferentes naturezas.
A quantidade e
o tipo de extintores portáteis e sobre rodas devem ser dimensionados para cada
ocupação em função:
1) da área a
ser protegida;
2) das
distâncias a serem percorridas para alcançar o extintor;
3) os riscos a
proteger (decorrente de variável “natureza da atividade desenvolvida ou
equipamento a proteger”).
Os riscos
especiais como casa de medidores, cabinas de força, depósitos de gases
inflamáveis devem ser protegidos por extintores, independentemente de outros
que cubram a área onde se encontram os demais riscos.
Os extintores
portáteis devem ser instalados, de tal forma que sua parte superior não
ultrapasse a 1,60 m de altura em ralação ao piso acabado, e a parte inferior
fique acima de 0,20 m (podem ficar apoiados em suportes apropriados sobre o
piso);
Deverão ser
previstas no mínimo, independente da área, risco a proteger e distância a
percorrer, duas unidades extintoras, sendo destinadas para proteção de incêndio
em sólidos e equipamentos elétricos energizados.
Os parâmetros
acima descritos são definidos de acordo com o risco de incêndio do local.
Quanto aos
extintores sobre rodas, estes podem substituir até a metade da capacidade dos
extintores em um pavimento, não podendo, porém, ser previstos como proteção
única para uma edificação ou pavimento.
Tanto os
extintores portáteis como os extintores sobre rodas devem possuir selo ou marca
de conformidade de órgão competente ou credenciado e ser submetidos a inspeções
e manutenções freqüentes.
SISTEMA DE
HIDRANTES
É um sistema
de proteção ativa, destinado a conduzir e distribuir tomadas de água, com
determinada pressão e vazão em uma edificação, assegurando seu funcionamento
por determinado tempo.
Sua finalidade
é proporcionar aos ocupantes de uma edificação, um meio de combate para os
princípios de incêndio no qual os extintores manuais se tornam insuficientes.
Os componentes
de um sistema de hidrantes são:
1)
reservatório de água, que pode ser subterrâneo, ao nível do piso elevado;
2) sistema de
pressurização.
O sistema de
pressurização consiste normalmente em uma bomba de incêndio, dimensionada a
propiciar um reforço de pressão e vazão, conforme o dimensionamento hidráulico
de que o sistema necessitar.
Quando os
desníveis geométricos entre o reservatório e os hidrantes são suficientes para
propiciar a pressão e vazão mínima requeridas ao sistema, as bombas hidráulicas
são dispensadas.
Seu volume
deve permitir uma autonomia para o funcionamento do sistema, que varia conforme
o risco e a área total do edifício.
3) Conjunto de
peças hidráulicas e acessórios.
São compostos
por registros (gaveta, ângulo aberto e recalque), válvula de retenção,
esguichos e etc.;
4) Tubulação;
A tubulação é
responsável pela condução da água, cujos diâmetros são determinados, por
cálculo hidráulico.
5) Forma de
acionamento do sistema
As bombas de
recalque podem ser acionadas por botoeiras do tipo liga-desliga, pressostatos,
chaves de fluxo ou uma bomba auxiliar de pressurização (jockey).
O Corpo de
Bombeiros, em sua intervenção a um incêndio, pode utilizar a rede hidrantes
(principalmente nos casos de edifícios altos). Para que isto ocorra, os
hidrantes devem ser instalados em todos os andares, em local protegido dos
efeitos do incêndio, nas proximidades das escadas de segurança.
A canalização
do sistema de hidrante deve ser dotada de um prolongamento até o exterior da
edificação de forma que possa permitir, quando necessário, recalcar água para o
sistema pelas viaturas do Corpo de Bombeiros.
O
dimensionamento do sistema é projetado:
1) de acordo
com a classificação de carga de incêndio que se espera;
2) de forma a
garantir uma pressão e vazão mínima nas tomadas de água (hidrantes) mais
desfavoráveis;
3) que
assegure uma reserva de água para que o funcionamento de um número mínimo de
hidrantes mais desfavoráveis, por um determinado tempo.
Um outro
sistema que pode ser adotado no lugar dos tradicionais hidrantes internos são
os mangotinhos.
Os mangotinhos
apresentam a grande vantagem de poder ser operado de maneira rápida por uma
única pessoa. Devido a vazões baixas de consumo, seu operador pode contar com
grande autonomia do sistema.
Por estes
motivos os mangotinhos são recomendados pelos bombeiros, principalmente nos
locais onde o manuseio do sistema é executado por pessoas não habilitadas (Ex.:
uma dona de casa em um edifício residencial).
O
dimensionamento do sistema de mangotinhos é idêntico ao sistema de hidrantes.
SISTEMA DE
CHUVEIROS AUTOMÁTICOS ("SPRINKLERS").
O sistema de
chuveiros automáticos é composto por um suprimento d’água em uma rede hidráulica
sob pressão, onde são instalados em diversos pontos estratégicos, dispositivos
de aspersão d’água (chuveiros automáticos), que contém um elemento
termo-sensível, que se rompe por ação do calor proveniente do foco de incêndio,
permitindo a descarga d’água sobre os materiais em chamas.
O sistema de
chuveiros automáticos para extinção a incêndios possui grande confiabilidade, e
se destina a proteger diversos tipos de edifícios.
Deve ser
utilizado em situações:
1) quando a
evacuação rápida e total do edifício é impraticável e o combate ao incêndio é
difícil;
2) quando se
deseja projetar edifícios com pavimentos com grandes áreas sem
compartimentação.
Pode-se dizer
que, via de regra, o sistema de chuveiros automáticos é a medida de proteção
contra incêndio mais eficaz quanto à água for o agente extintor mais adequado.
De sua
performance, espera-se que:
1) atue com
rapidez;
2) extingua o
incêndio em seu início;
3) controle o
incêndio no seu ambiente de origem, permitindo aos bombeiros a extinção do incêndio
com relativa facilidade.
O
dimensionamento do sistema é feito:
1) de acordo
com a severidade do incêndio que se espera;
2) de forma a
garantir em toda a rede níveis de pressão e vazão em todos os chuveiros
automáticos, a fim de atender a um valor mínimo estipulado;
3) para que a
distribuição de água seja suficientemente homogênea, dentro de uma área de
influência predeterminada.
SISTEMA DE
ESPUMA
A espuma
mecânica é amplamente aplicada para combate em incêndio em líquidos
combustíveis e inflamáveis.
A espuma
destinada à extinção dos incêndio é um agregado estável de bolhas, que tem a
propriedade de cobrir e aderir aos líquidos combustíveis e inflamáveis,
formando uma camada resistente e contínua que isola do ar, e impede a saída
para a atmosfera dos vapores voláteis desses líquidos.
Sua atuação se
baseia na criação de uma capa de cobertura sobre a superfície livre dos
líquidos, com a finalidade de:
1) Separar
combustível e comburente;
2) Impedir e
reduzir a liberação de vapores inflamáveis;
3) Separar as
chamas da superfície dos combustíveis;
4) Esfriar o
combustível e superfícies adjacentes.
Sua aplicação
destina-se ao combate de fogos de grandes dimensões que envolvam locais que
armazenem líquido combustível e inflamável.
Também se
destina a:
1) extinção de
fogos de líquidos de menor densidade que a água;
2) prevenção
da ignição em locais onde ocorra o derrame de líquidos inflamáveis;
3) extingua
incêndios em superfície de combustíveis sólidos;
4) outras
aplicações especiais, tais como derrame de gases na forma líquida, isolamento e
proteção de fogos externos, contenção de derrames tóxicos e etc.;
5) Estas
últimas aplicações dependem de características especiais da espuma, condições
de aplicação e ensaios específicos ao caso a ser aplicado.
A espuma não é
eficaz em:
1) fogo em
gases;
2) fogo em
vazamento de líquidos sobre pressão;
3) fogo em
materiais que reagem com a água.
A espuma é um
agente extintor condutor de eletricidade e, normalmente, não deve ser aplicada
na presença de equipamentos elétricos com tensão, salvo aplicações específicas.
Cuidado
especial deve se ter na aplicação de líquidos inflamáveis que se encontram ou
podem alcançar uma temperatura superior a ponto de ebulição da água;
evitando-se a projeção do líquido durante o combate (slop-over).
Os vários
tipos de espuma apresentam características peculiares ao tipo de fogo a
combater, que as tornam mais ou menos adequadas. Na escolha da espuma devem-se
levar em consideração:
1) aderência;
2) capacidade
de supressão de vapores inflamáveis;
3)
estabilidade e capacidade de retenção de água;
4) fluidez;
5) resistência
ao calor;
6) resistência
aos combustíveis polares.
Os tipos de
espuma variam:
1) segundo sua
origem:
a) química,
que é obtida pela reação entre uma solução de sal básica (normalmente
bicarbonato de sódio), e outra de sal ácida (normalmente sulfato de alumínio),
com a formação de gás carbônico na presença de um agente espumante. Este tipo
de espuma é totalmente obsoleto e seu emprego não está mais normatizado.
b) Física ou
mecânica, que é formada ao introduzir, por agitação mecânica, ar em uma solução
aquosa (pré-mistura), obtendo-se uma espuma adequada. Esta é o tipo de espuma
mais empregada atualmente.
2) segundo a
composição:
a) Base
proteínica, que se dividem:
• Proteínicas,
que são obtidas pela hidrólise de resíduos proteínicos naturais. Caracteriza-se
por uma excelente resistência à temperatura.
•
Fluorproteínicas, que são obtidas mediante a adição de elementos fluorados
ativos a concentração proteínica, da qual se consegue uma melhora na fluidez e
resistência a contaminação.
b) Base
sintética.
3) segundo ao
coeficiente de expansão:
O coeficiente
de expansão é a relação entre o volume final de espuma e o volume inicial da
pré-mistura. E se dividem em:
a) Espuma de
baixa expansão, cujo coeficiente de expansão está entre 3 e 30;
b) Espuma de
média expansão, cujo coeficiente de expansão está entre 30 e 250;
c) Espuma de
alta expansão, cujo coeficiente de expansão está entre 250 e 1.000.
4) segundo as
características de extinção;
a) Espuma
convencional, que extingue somente pela capa de cobertura de espuma aplicada;
b) Espuma
aplicadora de película aquosa (AFFF), que forma uma fina película de água que
se estende rapidamente sobre a superfície do combustível.
Espuma
antiálcool, que forma uma película que protege a capa de cobertura de espuma
frente à ação de solventes polares.
Os sistemas de
espuma são classificados conforme:
1) a sua
capacidade de mobilidade em:
a) Fixos, que
são equipamentos para proteção de tanque de armazenamento de combustível, cujos
componentes são fixos, permanentemente, desde a estação geradora de espuma até
à câmara aplicadora;
b) Semifixos,
que são equipamentos destinados à proteção de tanque de armazenamento de
combustível, cujos componentes, permanentemente fixos, são complementados por
equipamentos móveis para sua operação. São, normalmente, móveis o reservatório
de extrato e o conjunto dosador (proporcionador).
c) Móveis, que
são as instalações totalmente independentes, normalmente veículos ou carretas,
podendo se locomover e aplicar session("aonde") forem necessários, requerendo somente sua
conexão a um abastecimento de água adequado.
2) Segundo a
sua forma de funcionamento, que pode ser:
a) automático;
b)
semi-automático;
c) manual.
Componentes do
Sistema
1) Reserva
(tanque) de extrato
São
reservatórios, tanques nos quais se armazena a quantidade de líquido gerador de
espuma necessária para o funcionamento do sistema.
Deve dispor
dos seguintes componentes básicos:
a) Indicador
de nível, com válvula de isolamento;
b) registro
para abertura e fechamento;
c) conexão
para enchimento e esvaziamento;
d) conexão
para o proporcionador;
e) domo de
expansão (espaço), preferencialmente com válvula de pressão-vácuo.
O material com
que é construído o tanque de extrato deve ser adequado ao líquido gerador que
armazena (problemas de corrosão e etc.).
2) Elemento
dosador (proporcionador)
São
equipamentos responsáveis pela mistura do líquido gerador de espuma e a água,
na proporção adequada para formação da espuma que se deseja.
Seu
funcionamento se baseia no efeito “venturi”, que é passagem da água
proporcionando a sucção do líquido gerador de espuma na dosagem
preestabelecida.
Normalmente
funcionam com pressões acima de 7 bar para permitir que proceda a pré-mistura
necessária.
A proporção é
fundamental para permitir uma espuma eficiente ao combate ao fogo que se
espera.
Normalmente a
proporção é de 3% para hidrocarburentes e 6% para combustíveis polares.
3) Bombas
hidráulicas para dosificar a pré-mistura
Também
denominado de dosificação por equilíbrio de pressão, consiste em uma bomba
hidráulica que possibilita uma regulagem automática da proporção de
pré-mistura, sobre uma grande demanda de vazão necessária.
Esta regulagem
consiste de orifícios calibrados no proporcionador, com uma válvula diafragma
que controla a pressão da linha de extrato, em função do diferencial de pressão
entre está e a linha de abastecimento de água.
4) Esguichos e
canhões lançadores de espuma
São elementos
portáteis e fixos, cuja função é dar forma a espuma de baixa e média expansão e
faze-la atingir ao tanque de combustível em chama.
Os esguichos
lançadores (linhas manuais) podem ou não possuir um dosificador em seu corpo
(proporcionador).
A diferença de
emprego entre o esguicho lançador de espuma e os canhões de espuma está na
capacidade de lançar e alcançar os tanques no que tange sua altura.
Os esguichos
são recomendados para tanques até 6m de altura, enquanto que os canhões atingem
alturas mais elevadas.
Os esguichos
de espuma são recomendados como complemento de apoio às instalações fixas, pois
como medida de proteção principal, expõem os operadores a sérios riscos .
5) Câmaras de
espuma
São elementos
especialmente projetados para a aplicação de espuma de baixa expansão, sobre a
superfície de combustíveis contidos em tanques de armazenamento de grande
diâmetro e altura.
Tem a
característica de aplicar a espuma no interior do tanque em chamas por meio da
descarga na parede do tanque. Pode ser constituído de elementos especiais no
interior do tanque, que fazem com que a espuma caia de forma mais suave sobre a
superfície do líquido.
É composta por
um selo de vidro que impede a saída de vapores voláteis do interior do tanque,
mas que se rompem quando o sistema entra em funcionamento, permitindo a
passagem da espuma.
Dispõe também
de uma placa de orifício que regula a pressão, de forma a possibilitar a
formação de uma espuma adequada.
É utilizada
para tanque acima de 10 m de altura e ou diâmetro superior a 24m, normalmente
em tanque de teto fixo, podendo também ser projetada para tanques de teto
flutuante.
6) Geradores
de alta expansão
São elementos
de geração e aplicação de espuma de alta expansão, formando uma espuma com uma
maior proporção de ar.
São compostos
por um ventilador que podem ser acionados por um motor elétrico, ou pela
própria passagem da solução de pré-mistura.
Podem ser do
tipo móvel ou fixo, aplicando a espuma diretamente ou por meio de mangas e
condutos especialmente projetados.
Sua pressão de
funcionamento varia de 5 a 7 bar.
7) Tubulações
e acessórios
As tubulações
são responsáveis pela condução da água ou pré-mistura para os equipamentos que
formam ou aplicam espuma.
Deve ser
resistente à corrosão.
Quantos aos
acessórios, estes devem resistir a altas pressões uma vez que os sistemas de
espuma, normalmente, trabalham com valores elevados de pressão, decorrente das
perdas de carga nos equipamentos e pressões mínimas para a formação da espuma.
_._._._._._
O
dimensionamento do sistema varia conforme o tipo, dimensão e arranjo físico dos
locais que armazenam líquidos inflamáveis e combustíveis, devendo seguir as
normas técnicas oficiais e Instruções Técnicas baixadas pelo Corpo de
Bombeiros.
A reserva de
incêndio também varia conforme o tamanho das áreas de armazenamento, mas
possuem capacidade de reserva maior que aos destinados a sistema de hidrantes.
SISTEMA FIXO
DE CO2.
O sistema fixo
de baterias de cilindros de CO2, consiste de tubulações, válvulas,
difusores, rede de detecção, sinalização, alarme, painel de comando e
acessórios, destinado a extinguir incêndio por abafamento, por meio da descarga
do agente extintor.
Seu emprego
visa à proteção de locais onde o emprego de água é desaconselhável, ou locais
cujo valor agregado dos objetos e equipamentos é elevado nos quais a extinção
por outro agente causará a depreciação do bem pela deposição de resíduos.
Ë recomendado
normalmente nos locais onde se buscam economia e limpeza, e naqueles que o
custo agente/instalação é muito mais inferior do que outro agente extintor
empregado.
Possui uma
efetiva extinção em:
1) Fogos de
classe “B” e “C” (líquidos inflamáveis e gases combustíveis, e equipamentos
elétricos energizados de alta tensão), em:
a) recintos
fechados, por inundação total, onde o sistema extingue pelo abafamento,
baixando-se a concentração de oxigênio do local necessária para a combustão,
criando uma atmosfera inerte.
b) recintos
abertos, mediante aplicação local sob determinada área.
2) Fogos de
Classe “A” (combustíveis sólidos):
a) decorrente de seu efeito de resfriamento, nos incêndio
em sólidos, em que o fogo é pouco profundo e o calor gerado é baixo;
b) nos usos de inundação total, aliados a uma detecção
prévia, a fim de evitar a formação de brasas profundas;
c) nos usos de aplicação local, leva-se em conta o tipo e
disposição do combustível, uma vez que a descarga do CO2 impedirá a
extinção nas regiões não acessíveis diretamente pelo sistema.
O sistema não
é capaz de extinguir:
1) fogos em
combustíveis (não pirofóricos) que não precisam de oxigênio para a sua
combustão, pois permitem uma combustão anaeróbia;
2) fogos em
combustíveis de classe “D” (materiais pirofóricos);
Os tipos de
sistema são:
1) Inundação
total, onde a descarga de CO², é projetada para uma concentração em todo o
volume do risco a proteger;
2) Aplicação
local, onde o CO2 é projetado sobre elementos a proteger não
confinados;
3) Modulares,
que consiste em um pequeno sistema de inundação total instalado no interior dos
compartimentos dos equipamentos a proteger.
Os componentes
dos sistemas são:
1) Cilindros,
que contém o agente extintor pressurizado, onde a própria pressão do cilindro
será utilizada para pressurização do sistema, sendo responsáveis pela descarga
dos difusores.
Sua
localização deve ser próxima a área/ equipamento a proteger, a fim de evitar
perdas de carga; diminuir a possibilidade de danos à instalação e baratear o
custo do sistema; mas não deve ser instalada dentro da área de risco, devendo ficar
em local protegido (exceto para os sistemas modulares).
Os cilindros
devem ser protegidos contra danos mecânicos ou danos causados pelo ambiente
agressivo.
No conjunto de
cilindros, há um destinado a ser “cilindro-piloto”, cuja função é, mediante acionamento
de um dispositivo de comando, estabelecer um fluxo inicial do agente, a fim de
abrir por pressão as demais cabeças de descarga dos demais cilindros da
bateria.
Os cilindros
podem ser de dois tipos:
a) Alta
pressão, na qual o CO2 encontra-se contido a uma temperatura de 20°C
e uma pressão de 60bar. Este sistema é o mais comum.
b) Baixa
pressão, na qual o CO2 encontra-se resfriado a -20°C e com uma
pressão de 20bar.
2) Cabeça de
descarga, que consiste de um dispositivo fixo adaptado à válvula do cilindro, a
fim de possibilitar sua abertura e conseqüente descarga ininterrupta do gás.
3) Tubulação e
suas conexões, responsáveis pela condução do agente extintor devem ser
resistentes a pressão, a baixa temperatura e a corrosão, tanto internamente
como externamente. Devem resistir a uma pressão de ruptura 5,5 vezes maior que
a pressão nominal do cilindro;
4) Válvulas,
com a função de direcionamento (direcional) do agente extintor ou de purga do
coletor de distribuição de gás (evitar que fugas do sistema acionem os
difusores fechados). Essas válvulas devem resistir a uma pressão de ruptura 7
vezes maior que a pressão nominal do cilindro;
5) Difusores,
que consiste de dispositivo fixo de funcionamento automático, equipado com
espalhador de orifícios calibrados, destinados a proporcionar a descarga do CO2
sem congelamento interno e com espalhamento uniforme;
BRIGADA DE
INCÊNDIO
A população do
edifício deve estar preparada para enfrentar uma situação de incêndio, quer
seja adotando as primeiras providências no sentido de controlar o incêndio,
quer seja abandonando o edifício de maneira rápida e ordenada.
Para isto ser
possível é necessário como primeiro passo, a elaboração de planos para
enfrentar a situação de emergência que estabeleçam em função dos fatores
determinantes de risco de incêndio, as ações a serem adotadas e os recursos
materiais e humanos necessários. A formação de uma equipe com este fim
específico é um aspecto importante deste plano, pois permitirá a execução
adequada do plano de emergência.
Essas equipes
podem ser divididas em duas categorias, decorrente da função a exercer:
1) Equipes
destinadas a propiciar o abandono seguro do edifício em caso de incêndio.
2) Equipe
destinada a propiciar o combate aos princípios de incêndio na edificação.
Em um edifício
pode ocorrer que haja esta equipe distinta ou executada as funções
simultaneamente.
Tais planos
devem incluir a provisão de quadros sinóticos em distintos setores do edifício
(aqueles que apresentem parcela significativa da população flutuante como, por
exemplo, hotéis) que indiquem a localização das saídas, a localização do quadro
sinótico com o texto " você está aqui" e a localização dos
equipamentos de combate manual no setor.
Por último
deve-se promover o treinamento periódico dos brigadistas e de toda a população
do edifício.
PLANTA DE
RISCO
É fundamental
evitar qualquer perda de tempo quando os bombeiros chegam ao edifício em que
está ocorrendo o incêndio. Para isto é necessário existir em todas as entradas
do edifício (cujo porte pode definir dificuldades as ações dos bombeiros)
informações úteis ao combate, fáceis de entender, que localizam por meio de
plantas os seguintes aspectos:
1) ruas de
acesso;
2) saídas,
escadas, corredores e elevadores de emergência;
3) válvulas de
controle de gás e outros combustíveis;
4) chaves de
controle elétrico;
5) localização
de produtos químicos perigosos;
6)
reservatórios de gases liquefeitos, comprimidos e de produtos perigosos.
7) registros e
portas corta-fogo, que fecham automaticamente em caso de incêndios e botoeiras
para acionamento manual destes dispositivos;
8) pontos de
saídas de fumaça;
9) janelas que
podem ser abertas em edifícios selados;
10) painéis de
sinalização e alarme de incêndio;
11) casa de
bombas do sistema de hidrantes e de chuveiros automáticos;
12) extintores
etc.
13) sistema de
ventilação e localização das chaves de controle;
14) sistemas
de chuveiros automáticos e respectivas válvulas de controle;
15) hidrantes
internos e externos e hidrantes de recalque e respectivas válvulas de controle;
* A Instrução
Técnica 02, na forma integral, assim como outras, estão disponíveis para
download em http://www.polmil.sp.gov.br/ccb/ativtec/q_atividades_tec.htm
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