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A
Planta Genérica de Valores permite fixar previamente os valores básicos
unitários dos terrenos e das edificações, expressos por metro quadrado de área,
o que, por sua vez, possibilita obter uma melhor justiça fiscal na medida em
que padroniza e uniformiza os critérios de apuração do valor venal dos imóveis,
base para a cobrança do IPTU e das transações imobiliárias, podendo, ainda, ser
tomado como limite mínimo para a cobrança do ITBI.
A
elaboração da Planta Genérica de Valores com valores reais, no entanto, não
representa necessariamente aumento imediato da arrecadação ou do valor dos
impostos.
Além
do aspecto tributário, deve-se ressaltar que a Planta Genérica de Valores
também é um instrumento para o planejamento municipal, na medida em que reflete
os índices de valorização imobiliária e propicia, portanto, a ação
regularizadora do governo municipal quanto ao uso e ocupação do solo.
EXPERIÊNCIA
No
município de Tietê-SP (29 mil hab.), observou-se entre 1991 e 1996 um
aumento populacional médio da ordem de 2,33% ao ano.
O
crescimento populacional representa um aumento da demanda por serviços e
equipamentos públicos. Em termos financeiros, isso implica em aumento de
investimentos no curto prazo e um relativo incremento do custeio no médio
prazo.
Além
do aumento populacional que significa aumento da demanda por serviços e
equipamentos públicos, deve-se considerar também alguns aspectos conjunturais
que fragilizam as receitas municipais dificultando ainda mais o financiamento
das novas demandas, como é o caso da diminuição das transferências em
decorrência da queda do nível de atividade econômica do País.
Em
Tietê, apesar destes fatores, houve um aumento da capacidade de arrecadação em
decorrência do aumento do número de imóveis.
A
Contagem Populacional (IBGE, 1996) apurou que o município de Tietê possuía
8.253 domicílios que, cadastrados (Cadastro Municipal de Imóveis), padronizados
e uniformizados (Planta Genérica de Valores), representavam um potencial de
arrecadação que havia sido pouco explorado até meados dos anos 80.
Na
segunda metade da década de 80, o município de Tietê possuía uma Planta
Genérica de Valores rudimentar que não refletia com fidedignidade a realidade
local e, portanto, prejudicava o potencial arrecadador do município.
O
principal objetivo, portanto, da atualização da Planta Genérica de Valores foi
potencializar o aumento de arrecadação do IPTU. A expectativa de aumento da
arrecadação, na época em que foi elaborada a Planta Genérica de Valores, girava
em torno de 70%.
Outro
objetivo era acrescentar uma componente de "justiça" na política de
arrecadação do IPTU. Até aquele momento havia cerca de 30 zonas fiscais no
município. O número de zonas fiscais foi ampliado para 90. O metro quadrado da
construção da zona fiscal 1 (região central e bairros nobres) atinge atualmente
a cifra de R$ 92,92 e a zona fiscal 90 (região mais periférica), R$ 2,00. A
maior amplitude de zonas fiscais compensa, de certo modo, as poucas alíquotas
tributárias existentes no Código Tributário Municipal: alíquota de 1% para o
imposto territorial e 0,4% para o predial.
IMPLEMENTAÇÃO
Para
a elaboração da Planta Genérica de Valores, foi realizado inicialmente um
levantamento de toda a Legislação Tributária e outras leis relacionadas à temática
fiscal do Município, dentre as quais: a antiga Planta Genérica de Valores; o
Código Tributário Local; e decretos, emendas e leis ordinárias e complementares
que regulamentavam artigos do referido Código Tributário.
Em
seguida foi realizada uma análise cartográfica da cidade e vistoriadas as
características dos imóveis por meio de fotos (verificação e checagem das
características dos imóveis por meio de fotos dos imóveis nos mais diversos
lugares).
A
etapa seguinte constou de coleta de dados junto ao mercado imobiliário e a
outras fontes de informações disponíveis (classificados de imóveis dos jornais
locais), com o objetivo de verificar os valores das transações e as principais
características dos imóveis negociados - dimensões (testada, profundidade e
área), preços e condições de pagamento.
Em
posse das informações sobre os imóveis municipais, foi feita uma
"homogeneização dos valores", método de comparação entre os valores
coletados na pesquisa junto ao setor imobiliário e os imóveis avaliados. Para
homogeneizar os valores são considerados fatores como profundidade e testada
dos imóveis.
Finalmente
foram realizados os cálculos e a montagem da Planta Genérica de Valores.
Buscou-se conciliar, de forma justa, os interesses da administração e da
comunidade na atribuição dos valores básicos à tributação imobiliária,
levando-se em conta os valores de mercado e determinando os valores fiscais dos
terrenos e das construções
Nesta
fase final foram apurados os valores de mercado de cada terreno e comparados com
seus valores venais. Esta etapa é subdividida em três partes: indicação dos
valores básicos unitários, distribuição preliminar; distribuição definitiva.
A
indicação dos valores básicos unitários é feita com base na planta onde foram
assinaladas, previamente, as zonas homogêneas, os valores básicos unitários
(expressos em metro quadrado), e homogeneizados todos os seus atributos.
Na
distribuição preliminar dos valores básicos unitários, deve-se considerar os
valores coletados, as vias de circulação e os pólos de valorização principais e
secundários. Na distribuição definitiva, por sua vez, deve-se apurar o valor
para cada quadra.
O
produto final deste trabalho foi uma nova Planta Genérica de Valores com 90
zonas fiscais diferentes. Ou seja, do ponto de vista fiscal, o município de
Tietê está dividido em 90 "distritos".
O
processo de elaboração da nova Planta Genérica de Valores de Tietê foi
realizado no período de agosto a dezembro de 1993, quando foi aprovada pela
Câmara Municipal.
Paralelamente
à elaboração da Planta Genérica de Valores, a Prefeitura Municipal de Tietê
atualizou o seu Cadastro Imobiliário. O Executivo também tentou alterar o
Código Tributário Municipal (em vigor desde 1979) mas o projeto de lei foi
rejeitado pela Câmara Municipal.
Deve-se
ressaltar ainda que neste mesmo período ocorreu a contratação dos primeiros
fiscais de renda do município (até então não havia fiscalização) que atuam
fundamentalmente em torno do Imposto Sobre Serviços - ISS.
Com
relação à dívida ativa, a inadimplência que historicamente ficava em torno de
10% ao ano, foi reduzida, a partir de algumas medidas jurídicas simples.
Anteriormente, quando o contribuinte deixava de pagar duas parcelas do IPTU, a
cobrança só era realizada a partir do ano subseqüente. Atualmente, quando o
contribuinte deixa de pagar duas parcelas do IPTU, o imposto é considerado
integralmente vencido e a cobrança é imediatamente realizada.
A
atualização da Planta Genérica de Valores do município de Tietê custou
aproximadamente R$ 9 mil para os cofres da prefeitura. A dotação orçamentária
para a realização do serviço foi para a Secretaria Municipal de Finanças.
A
maior dificuldade para atualizar a Planta Genérica de Valores não foi de
caráter técnico, burocrático ou financeiro, mas político, dada a dificuldade de
"negociação" da Prefeitura com a Câmara Municipal para aprovação da
referida Planta na forma de Lei.
RESULTADOS
Não
é complicado atualizar a Planta Genérica de Valores. Há métodos sofisticados e
mais onerosos, também. Mas o princípio é simples. Trata-se de dividir o
município em regiões onde os terrenos e as construções sejam relativamente
parecidas e estipular um valor fiscal para cada região de modo que bairros mais
luxuosos pertençam a zonas fiscais com valores mais altos e bairros mais carentes
pertençam a zonas fiscais com valores mais baixos. Em outras palavras, o
princípio é tratar com igualdade os iguais.
Embora
não tenha havido participação da sociedade civil no processo de atualização da
Planta Genérica de Valores, há possibilidade da composição de uma comissão com
participação mínima dos corretores de imóveis, engenheiros e funcionários da
prefeitura municipal, associações de bairros, movimentos de moradia,
organizações não-governamentais (ONGs), entidades ambientalistas, entidades de
classe, associações comerciais e industriais, dentre outras. É uma maneira de
criar espaços públicos onde a sociedade civil e o governo possam interagir na
busca de soluções para questões públicas municipais.
Não
há necessidade de que haja tantas zonas fiscais. Quanto menor e mais homogêneo
o município, menor a quantidade de zonas fiscais na Planta Genérica de Valores.
Os
resultados podem ser observados com relação à maior justiça tributária e em
termos de aumento de arrecadação.
No
sentido de maior justiça tributária, deve-se observar que, a partir da
atualização da Planta Genérica de Valores, com 90 zonas fiscais distintas,
houve uma maior diferenciação entre os contribuintes.
O
aumento de arrecadação, por sua vez, pode ser observado a partir das tabelas abaixo.
Percebe-se, por exemplo, que a receita total aumentou em mais de 40% a partir
de 1994. Apesar do aumento do ITU, do IPTU, do ISS e do ITBI, as receitas
próprias caíram em decorrência da diminuição da rubrica "outras
receitas".
O
ITU, por exemplo, aumentou em mais de 300% ao longo dos últimos cinco anos. O
IPTU, ISS e ITBI, aumentaram, respectivamente, 439%, 120% e 28%.
Do
ponto de vista relativo, observa-se que o IPTU passou de 1,47% para 5,58% do
total da receita, e o ISS, por sua vez, passou de 3,01% para 4,65%.
Não
é possível dizer que o aumento de arrecadação se deva exclusivamente à
atualização da Planta Genérica de Valores, mas a uma gama de ações paralelas à
referida atualização que resultam numa melhor arrecadação.
Receitas
Municipais: Valores Relativos
Tietê
- SP
|
Receita
|
1994
|
1995
|
1996
|
1997
|
1998
|
1999*
|
|
Receita
Própria
|
38,20
|
32,31
|
31,78
|
26,63
|
22,82
|
25,42
|
|
ITU
|
0,56
|
2,20
|
1,62
|
1,90
|
1,60
|
1,97
|
|
IPTU
|
1,47
|
6,51
|
5,58
|
6,09
|
5,58
|
6,55
|
|
ISS
|
3,01
|
3,90
|
4,82
|
4,74
|
4,65
|
3,82
|
|
ITBI
|
1,48
|
1,97
|
1,32
|
1,54
|
1,33
|
1,20
|
|
Outras
Receitas
|
31,67
|
17,73
|
18,44
|
12,36
|
9,66
|
11,88
|
|
Transferências
|
61,80
|
67,69
|
68,22
|
73,37
|
77,18
|
74,58
|
|
FPM
|
20,75
|
20,81
|
19,94
|
20,71
|
20,26
|
21,60
|
|
ICMS
|
35,36
|
35,85
|
36,24
|
39,16
|
36,03
|
28,98
|
|
Outras
Transferências
|
5,70
|
11,04
|
12,04
|
13,51
|
20,89
|
24,00
|
|
Total
|
100,00
|
100,00
|
100,00
|
100,00
|
100,00
|
100,00
|
Fonte:
Prefeitura Municipal de Tietê. Valores atualizados para maio de 1999.
*Valores
até o mês de junho.
CONTATOS
Mário
Luiz Botêga, da Prefeitura Municipal de Tietê
Tel.:
0 XX 15-282-2011
Autor:
Eduardo de Lima Caldas
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