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  A Energia eólica no Brasil

O Brasil é hoje o 12º maior consumidor de energia do mundo, com um nível de consumo equiparado ao da Itália e da Espanha e ciente que o Brasil em 2001, registrou queda de 2,1% no consumo de energia, basicamente devido ao racionamento de eletricidade, que ocorreu em virtude de fenômenos climáticos e fruto, principalmente, de uma matriz geradora calcada basicamente em geração por hidrelétricas
No País, embora o aproveitamento dos recursos eólicos (energia eólica) tenha sido feito tradicionalmente com a utilização de cataventos multipás para bombeamento de água, algumas medidas precisas de vento, realizadas recentemente em diversos pontos do território nacional, indicam a existência de um imenso potencial de energia eólica ainda não explorado.
Grande atenção tem sido dirigida para o estado do Ceará, por ter sido um dos primeiros locais a realizar um programa de levantamento do potencial de energia eólica através de medidas de vento com modernos anemógrafos computadorizados. Entretanto, não foi apenas na costa do Nordeste que áreas de grande potencial eólico foram identificadas. Em Minas Gerais, por exemplo, uma central de energia eólica está em funcionamento, desde 1994, em um local (afastado mais de 1000 km da costa), com excelentes condições de vento.
A capacidade instalada no Brasil é de 20,3 MW, com turbinas eólicas de médio e grande portes conectadas à rede elétrica. Além disso, existem dezenas de turbinas eólicas de pequeno porte funcionando em locais isolados da rede convencional para aplicações diversas, tais como bombeamento, carregamento de baterias, telecomunicações e eletrificação rural.


ENERGIA: Usina energia eólica de Taíba, no Ceará - a primeira do mundo construída sobre dunas de areia. A capacidade instalada do complexo, inaugurado em 1999, é de 5 MW



Nosso potencial eólico

A avaliação precisa do potencial de vento em uma região é o primeiro e fundamental passo para o aproveitamento do recurso eólico como fonte de energia.
Para a avaliação do potencial faz-se necessária a coleta de dados de vento com precisão e qualidade. Em geral, os dados de vento coletados para outros usos (aeroportos, estações meteorológicas, agricultura), são pouco representativos da energia contida no vento e não podem ser utilizados para a determinação da energia gerada por uma turbina eólica - que é o objetivo principal do mapeamento de uma região.
No Brasil, assim como em várias partes do mundo, quase não existem dados de vento com qualidade para uma avaliação do potencial eólico. Os primeiros anemógrafos computadorizados e sensores especiais para energia eólica foram instalados no Ceará e em Fernando de Noronha, no estado de Pernambuco, apenas no início dos anos 90. Os bons resultados obtidos com aquelas medições favoreceram a determinação precisa do potencial de energia eólica daqueles locais e a instalação de turbinas. Vários estados brasileiros seguiram os passos de Ceará e Pernambuco e iniciaram programas de levantamento de dados de vento. Hoje existem mais de cem anemógrafos computadorizados espalhados por vários estados da Federação.
A análise dos dados de vento de vários locais no Nordeste confirmaram as características dos ventos comerciais - trade-winds - existentes na região: velocidades médias de vento altas, pouca variação nas direções do vento e pouca turbulência durante todo o ano. Além disso foram observados fatores de forma de Weibull (da distribuição estatística de Weibull), maiores que 3 (valores considerados muito altos quando comparados com os ventos registrados na Europa e nos Estados Unidos).
Diante da importância da caracterização dos recursos eólicos da região Nordeste, o Centro Brasileiro de Energia Eólica (Cbee), com o apoio da Agência Nacional de Energia Elétrica - ANEEL - e do Ministério de Ciência e Tecnologia - MCT - lançou, em 1998, a primeira versão do Atlas Eólico do Nordeste do Brasil , que tem como intuito principal desenvolver modelos atmosféricos, analisar dados de ventos e elaborar mapas eólicos

MAPA: Gráfico desenvolvido pelo Cbee aponta o potencial eólico



Brasil já fabrica o equipamento necessário para a propulsão eólica

De acordo com matéria publicada no site BBC Brasil, o mapa mostrou que o potencial brasileiro é grande. Apenas no Nordeste, o potencial das jazidas do tipo A, consideradas as melhores e também as que podem ser exploradas a curto prazo, é de cerca de 6 mil MW. O País também já domina a tecnologia e fabrica o equipamento.A Alemanha, o maior produtor mundial, tem capacidade instalada de 8.750 MW.
"Um vento é determinado não só por sua velocidade e intensidade. A qualidade do vento também é medida pela baixa turbulência e baixa rajada de vento", explica Everaldo Feitosa, diretor do Eólica Brasil e vice-presidente da Associação Mundial de Energia Eólica. Ele diz que a região Nordeste já possui um vento praticamente constante, que chamamos de 'bem-comportado e educado'." Só esse potencial já equivale a mais da metade da capacidade instalada no Nordeste, que é de 9 mil MW.
A energia eólica, assim como a solar ou a de biomassa, não poderia ser a única nem a principal fonte energética do Brasil, já que elas não são constantes e dependem, basicamente, de fatores naturais. Tanto a eólica, como a solar e a energia de biomassa são fontes complementares, que atuam junto com as outras fontes existentes no Brasil, como a hidráulica.

Avanços e projetos no setor brasileiro de energia eólica


GRÁFICO: Evolução da capacidade de geração eólica instalada no Brasil, desde 1992 até 2000. Grande parte da capacidade eólica existente foi instalada no ano de 1999


Apesar de vários trabalhos e pesquisas científicas realizadas nas décadas de 70 e 80 a geração de energia a partir de turbinas eólicas no Brasil teve início apenas em julho de 1992, com a instalação de uma turbina de 75kW na ilha de Fernando de Noronha. Hoje, a capacidade instalada no Brasil é de 20,3 MW, com instalações eólicas de grande porte nos estados do Ceará, Pernambuco, Minas Gerais e Paraná, e se trabalha com o objetivo de instalar 1.000MW de energia eólica no País até 2005 - meta estabelecida durante no ano passado.
Os avanços tecnológicos dos últimos anos tornaram a energia eólica competitiva, do ponto de vista econômico, em relação as formas convencionais de energia, inclusive a hidroelétrica.Um ponto fundamental para que trabalhos deste tipo sejam concretizados, permitindo a criação de tecnologia nacional, é a aquisição de dados do sistema, turbina eólica/vento, em funcionamento. O Centro Brasileiro de Energia Eólica possuindo toda a infra-estrutura necessária fornecerá subsídios para diversos tipos de análises.

PROJETOS: Áreas onde podem ser desenvolvidos projetos eólicos– fonte: www.eolica.com.br


Impactos sócio-econômicos da instalação dos parques de energia alternativa

A instalação de parques de aerogeradores traz vantagens sócio-econômicas diversas, sobretudo durante a fase da construção. Porém depois desta fase, os postos de trabalhos permanentes são reduzidoa. Com isso, existe o grande interesse de prefeituras, associações ou grupos privados. Em relação ao balanço energético, o potencial eólico gasto para produzir, instalar, operar e manter um gerador, é produzido por ele mesmo em cerca de seis meses. Esse fator torna a energia eólica uma das mais atrativas fontes de energia em termos de planejamento energético mundial.

As vantagens de consumo da energia eólica

O vento apresenta custos externos e sociais muito baixos, prevendo-se mesmo que possa, num curto prazo, entre 2005 e 2010, ser competitiva com a produzida a partir dos combustíveis fósseis. Entre os atrativos que o aproveitamento da energia eólica oferece podem destacar-se a grande disponibilidade global e o baixo impacto ambiental genérico. Um aerogerador produz em menos de um ano de funcionamento mais energia do que a necessária e por cada kWh de electricidade produzida por via eólica diminui-se em cerca de um quilograma a emissão de CO2 para a atmosfera. A investigação no domínio do aproveitamento da energia eólica, nos últimos dez anos, tem incidido no estudo dos problemas relacionados com máquinas de cada vez maiores dimensões e potências, tanto no que diz respeito à aerodinâmica do seu funcionamento como à ligação às redes elétricas de distribuição. Os grandes avanços introduzidos nas tecnologias fizeram do aproveitamento da energia do vento uma aplicação corrente e segura.
Trâmita no Senado um projeto de lei do senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), que estabelece a concessão de incentivos à produção de energia eólica que no seu entender pode representar a fonte alternativa para a solução do aumento da oferta de eletricidade na Região Nordeste. O senador advertiu que o Brasil precisa planejar uma produção crescente de energia, para evitar a possibilidade de novo "apagão", como aconteceu em 2001.
O estado atual é pois de alguma maturidade, e de disponibilidade comercial imediata. Das poucas centenas de kW que caracterizavam as máquinas de há três ou quatro anos, passou-se num curto intervalo de tempo para a escala do MW, havendo já mais do que um fabricante que tem disponíveis no mercado máquinas de 1,5 MW.

Valério Cabral
redacao@jornalagora.com.br